2021/03/30

2021/03/29

qu15nze

foi em março, há quinze anos, que este sítio apareceu. 
apareceu já numa fase em que os blogues estavam a ficar fora de moda. mas gosto de manter certas coisas... 

já me acusaram de viver muito no passado. 
percebo que o façam. 
o presente, a única coisa que se tem, passa demasiado depressa. 
o futuro está sempre tão em aberto... 
mas isso também se aplicaria ao (meu) passado. 
quando não se vê um futuro é muito tentador voltarmo-nos para o passado. 
quando o presente é difícil também. 

mas, por mais difícil que tudo seja, o futuro tanto pode trazer coisas boas como más (para estes momentos de clarividência continuo a depender dos outros)... 

a primeira coisa de que me lembrei, ao perceber a longevidade deste "registo", foi o livro do neruda "confesso que vivi" (nunca li). 
mas, felizmente, lembrei-me de outra coisa: estou vivo. muito vivo, até. tão vivo que até dói.

as dores de estar vivo são sempre preferíveis às dores de não viver.

atraso de vida

2021/03/27

prone

a impossível arte de conjugar a procura por impossíveis com alegrias possíveis...
algo designado por "prone" foi por mim indicado como a possibilidade de ser uma alegria possível.
prone significa (não sabia, fui ver agora): "likely to suffer from an illness or show a particular negative characteristic" ou "likely to experience a particular problem more often than is usual".

bate certo, ainda assim...


camisola tigreza

"saturday is so GOOD"

 
depende...
depende de tantas coisas...
depende da vida que se teve,
se tem
 e da que se pode ter.

mas os passarinhos chilrearão independentemente de...

"06:27h - lua cheia" ou "eternal beach"

2021/03/20

amplexo

o encontro, a descoberta, a chegada, 
a vertigem, o encanto, o descompasso
presente logo ali naquele abraço
presente na partida antecipada

num dia todo feito para nós 
eu sou eu ali onde tu estás
em gargalhada o nosso corpo jaz
deitados muito juntos, pouco a sós

não basta a lembrança desse dia
é só um dia de vida, minha e tua
ainda que perfeito, o sol, a lua, 
o nosso olhar e o que nele havia

do futuro há o sentir, não o saber
o todo, bem e mal, compõe a vida
a cada nova entrada há uma saída
e há a dor do desejo de querer

(parece que a primavera começa hoje... 
não sei se acredito.)

2021/03/18

hot judge

ainda bem que o moço não morreu da outra vez...
se tivesse morrido, talvez eu nunca tivesse sabido disto (single line drawing, by Jean Negulesco):



















2021/03/16

pater

M. ofereceu-me um livro, prenda do dia do pai antecipada. eu tinha-lhe dito, como digo sempre e com toda a sinceridade, que não queria nada. nadinha.
era um livro que eu não tinha e que há anos queria comprar e ler: "o ano da morte de ricardo reis", do saramago.
foi isso mesmo que eu disse, quando recebi a oferta.
ela: eu sei, pai. eu ouço-te.
fez-me chorar.
porque me conhece bem.
e porque, dela, tendo isso, tenho tudo.
não é preciso mais nada.
nadinha.
 

fadeega

há diferentes tipos de cansaço...
eu tenho um tipo de cansaço que tende a diminuir através de outro tipo de cansaço. algo mais físico ou, pelo menos, menos mental.
mas, em termos profissionais, uma das causas está identificada, por mim, há muito tempo.
disse há tempos, numa reunião (mas duvido que tenha ficado em acta) que o programa para os alunos em confinamento deveria ser, se e quando possível, uma vida parecida com a de alguns mosteiros: trabalho no campo (mexer em terra, em coisas vivas) de manhã e leitura (de livros) à tarde. só isto, mais nada.

depois vejo isto e, não me surpreendendo, compreendo melhor.


2021/03/10

2021/03/09

2021/03/07

dez aço cego, parte II

li, por duas vezes, o "livro do desassossego"... 

por duas vezes o sublinhei e anotei. 
vou ter que o fazer outra vez. 

há coisas que mudaram em mim, logo, coisas que mudaram o texto, para mim. 
há coisas que, sendo as mesmas, em mim e no texto, são diferentes. 

na profundeza de uma noite recente, pensei na diferença entre sentir e pensar, e na relação disto com os espaços e a luz. 
mantenho o sublinhado, mas sei que a vida é outra (as coisas serão, eventualmente, as mesmas): "a manhã do campo existe, a manhã da cidade promete. uma faz viver, outra faz pensar."

"today i whore my hat... " ou "beer for breakfast"

2021/03/04

uma casa na pride(aria)

 

 richard taylor, sobre o orgulho: "the justified love of oneself". 

à pergunta,
respondi negativamente, pois só ouvi a pergunta com o tom negativo. 
foi positivo responder negativamente. 

mas, neste sentido de "amor próprio justificado", haveria a possibilidade de ser positivo responder afirmativamente, isto é, não negativamente. 

como (quase) sempre, estou na fronteira entre dois mundos. 
tento ser, com as forças que tenho. 

nim.