2007/05/31

notas filosóficas em toalha de papel

a-de-vertência (ali para os lados de torres-vedras): a indicação destas notas é fiel. prescinde-se do raciocínio (duvida-se que este exista, aliás) associado à produção das mesmas...

Heidegger, ser e tempo free-style:

o logos constitui o lugar da verdade enquanto acordo. está implicado: não é o primeiro lugar da verdade.
daqui surge a concepção de fenomenologia como uma hermenêutica da existencialidade.

se a compreensão é uma realização da existência, ocorre neste processo uma antecipação por projecto: uma transcendência.

a introdução do tempo(*) é uma foda! (juro que estava, finalmente, a perceber.)
*-como horizonte de compreensão, logo, de ser.

sinto certas saudades das notas de encomenda de forras para fieiras de cerâmica ou de motorredutores L2 de um cavalo e meio...

apercebo-me agora que os duran duran faziam vela de fato e gravata. sou (sempre fui) tão ridículo quanto eles foram (ou são)

ser:
- como mundo
- como verdade original do ente
- como finitude

os existenciais, não como realidade, mas como possibilidade.
ao ser-fora-de corresponde uma possibilidade de ser. a possibilidade de ser.
se mundo é tempo, então ser é tempo, dada a situação do dasein se compreender no mundo.

(fim da toalha de papel)

raios partam...

os sacanas destes franceses aqui ao lado a falar de cavalos... re-instalaram-me a eterna dúvida cheveaux e chevaux...
chevaux, foda-se!

beatriz

again, mas desta vez com saltos altos.
é igual, mas é mais fino.

demo version

- no memorial da irmã lúcia impressionou-me muito o penicozinho.
- onde se lia "réplica da cela" eu, sem conseguir evitar, juro, insistia em ler "réptila gazela"

god sleeps in odd ways...

2007/05/24

let me take you on a trip around the world and back...

hérnia

private-joke caipirinha

(previamente à elaboração deste néctar dos semi-deuses, dever-se-á adicionar aguardente que o tio-padrinho destila a partir de croissants, chocolates, bolos sortidos e coisas parecidas a que passa a validade na base do intermarché (marca registada) aos cristais de açúcar restantes do anis pré-coital que por essa mesma razão serão abundantes)

alfaias necessárias:
1 jarro de 2 litros de capacidade.
1 faca
cigarros q.b.

ingredientes para 2 pessoas (ou uma que não tenha planos para um dia inteiro):
0,75l de aguardente anisada
6 limões (ajuda ter no quintal um limoeiro ultra-generoso e ter-se acabado o gin)
gelo moído q.b. (por moído entenda-se martelado sobre o balcão da cozinha. claro que se tem uma maquineta para este trabalho mas esta actividade é sempre impressionante)

modo de preparação:
- martela-se o gelo e coloca-se no jarro.
- fuma-se um cigarro. citam-se dois autores do séc. XIX na língua original: dois alemães, dois franceses ou um francês e um alemão.
- adicionam-se os limões cortados às rodelas (se uma das pessoas fôr alguém que se quer levar para a cama dever-se-á proceder à retirada das sementes das rodelas de limão)
- adiciona-se o conteúdo total da garrafa de aguardente até encher completamente. beberricar do jarro até caber tudo.
- elaborar trocadilhos vários sob o mote: "encher completamente" ou "caber tudo"
- servir em copos suficientemente lavados.

nunca, mas nunca mesma, utilizar a expressão "tiro e queda" devido à pressão subliminar exercida pela expressão antagónica "negar fogo".

artéria femural (dos toureiros)

estou a ver um video-clip dos bee-gees: staying alive.
há qualquer coisa nos irmãos gibb que me faz lembrar pedrito de portugal...
já sei o que é.

perdi um bocadinho a vontade de rir quando constatei que o meu actual penteado é parecido com... nevermind.

inner bliss

disse à minha mãe: "ontem almocei x".
no dia seguinte, a minha mãe:"a tua irmã fez o teu almoço. é x. depois tens que lhe dar a tua opinião".
quando, finalmente, vi a minha irmã, pergunta-me ela:"então?".
"então o quê?".
"estava igual?"
"não. estava melhor."

x é um prato muito exótico de que a minha irmã nunca ouvira falar e de que conhecia 2/3 dos ingredientes.
x é uma letra do alfabeto a que se convencionou associar a utilização para indicação de incógnita ou de entidade que se não pretende designar ou identificar.
alfabeto é uma carreirinha muito certinha de letras, iniciada pelas letras alfa e beta.
alguns machos são alfa. alguns machos são analfabetos.

"nunca mordo às quintas-feiras..."

- tenho reparado em si. lê ou escreve enquanto come... você não é uma pessoa normal, pois não?
- eu sou um anormal em todos os sentidos.

a sonoridade de uma tautologia

WE/OUI

beatriz

quintas idem.

marasmo matutino

aposta de pescada:
vale 10 euros em como antes de o ser já o era?

2007/05/22

cinderella

kill road kill

que se mate o cão não me choca.
que se lhe retire parte das vísceras para arranjar espaço também não.
que se coloque o cadáver do recém-nascido nesse espaço agora libertado e se suture a pele da barriga do animal também não me impressiona sobremaneira.
que a carcaça e o seu conteúdo sejam depositados a, precisamente, 80cm da berma da estrada parece-me simplesmente fruto do trabalho de uma mente metódica e racional, com conhecimentos sobre o mundo rodoviário e a lógica dos semi-reboques...

o que me impressiona e transtorna é o facto de esta ser uma forma que alguém (eu) julgue eficaz para a eliminação do corpo de um bebé.

on the rocks

tenho os olhos, hepaticamente, raiados de noite.
tive a noite, lacrimosamente, pejada de estrelas.
a vida, fantasiosamente, preenchida.
as necessidades, subliminarmente, satisfeitas.

vou ali, já venho.

a calçada nem sempre regular
assevera-me, assegura-me a passagem
daquela que tarda em regressar.
o fio de luz solar que ainda resta
faz brilhar as pedras angulosas
destacando em cada uma uma aresta.
à esquina surge alguém de quando em quando
difuso pela sombra projectada,
e eu vou, como o dia, definhando.
em vista da figura conhecida,
que faz fácil e forte o respirar,
é sem custo que, enfim, regresso à vida.

o fado das guitarradas

nota mental:
devolver as fender, a gibson, a vester...
queimar a maison...
beber mais água e comer mais bolos com creme...

ritornello

(finalmente! tenho tanto para te dizer. gosto do teu cabelo assim) - olá.
- olá. então?
(continuas linda! tu nem imaginas a falta que me fazes...) - e tu? fizeste boa viagem?
- foi mais ou menos...
(deixa-me abraçar-te até ao último dia do mundo. quero sentir-te aqui) - eu levo o teu saco.
- estás à espera há muito tempo?
(espero-te todos os dias desde que te conheci, incluindo os momentos, todos os momentos, que passámos juntos.) - não, nem por isso.
- onde está o teu carro?
(quando tu não estás sinto que te amo. eis-te aqui agora e amor é o que eu sinto. vejo que tens os brincos que comprámos juntos e amo-te também por isso) - está já ali. sim, eu sei que tinha aqui lugar mais perto. não reparei.
- vejo que estás na mesma.
(como desde o primeiro dia, observo a forma fluída como caminhas. vejo formar-se no espaço entre as tuas sobrancelhas uma pequena ruga de reprovação relativamente às coisas pequenas e banais - neste caso, uma capa de revista cor-de-rosa, no quiosque. escrevi uma canção só para ti) - vais começar já a irritar-me? (espero que o grafitti com o teu nome não te choque muito. espero que consigas dormir sossegada...) - não, não estou zangado...
- mas pareces...
(claro que te comprei o arroz integral, o seitan, o tofú... felizmente acabei os bifes ontem, acompanhando-os com cerveja, enquanto via o futebol) - vais começar, é?

global warming

nome?
- dolores anunciación brosniak.
...
- mãe chilena, pai checheno.
chiça!

(qualquer dia coloco um extintor na boca, puxo a cavilha e espero pelo melhor...)

burladero

- gosto de ti: tens idade, peso e trapio.
- muito gostas tu de te armar em parvo com essas merdas da tauromaquia. não te apercebes que a imagem de marialva é inadequada a quem nunca foi a uma corrida sequer?
- deixa-me falar-te sobre esporas...
- estou a ver... "o prazer do selim e da mulher", não?
- sim, de preferência em simultâneo, num motel muito jeitoso que eu conheço aqui perto.

ó pá...

- quando me disseram que ele era casado, imaginei imediatamente a mulher dele como sendo muito alta e muito magra, com queimaduras nas pernas provocadas por tubos de escape de motas com dois cilindros em V, franja muito curta no cabelo preto e com uma visão muito peculiar acerca do "nú artístico" e dos "pezinhos de coentrada"...
- ó pá! era mesmo isso que eu estava a pensar... tiraste-me as palavras da boca.

hoje, again

... já falei dos tabefes da beatriz?

out of nowhere

a televisão fala-me das muitas mulheres que dão à luz a bordo de um puma da força aérea no trânsito entre duas ilhas dos açores. dizem-se coisas sobre o ruído ensurdecedor, sobre a apreensão dos momentos iniciais, sobre o carácter inesquecivel da experiência...
mas o que me atrai a atenção é um documento de registo de nascimento onde, no espaço destinado à indicação do local de nascimento, aparece a referência a um ponto geográfico, uma indicação de longitude e latitude.
achei bonito.
não me apetece dizer exactamente porquê.

clash of titans

- sabes aquela sensação de que só uma grande desgraça teria o poder de agitar a tua vida ao ponto de a libertar do torpor e do vazio?
- não, não sei.

void

lugovoy x litvinenko
coisas de espiões, de potências, de interesses geoestratégicos.

2007/05/21

bilros

companhia das índias acidentais

tenho, ultimamente, que forçar-me a pensar.
mas pensar é um prazer, sempre foi, por muito difícil que seja o processo ou difíceis as conclusões a que se chegue. é um prazer mesmo que se não chegue a uma conclusão.
tenho, ultimamente, que forçar-me ao prazer.

bad time test

é dada a hora...
o casal de manequins encontra-se já, e desde sempre, pronto a ser visto.
e o morno teste desenrola-se já ante os meus olhos, nada parecido com as tardes de aquém-tejo.
menos pele e, eventualmente, menos ardor núbil.
no entanto, há esvoaçar de cabelos de baunilha, ingerentes nos desempenhos em fio de rumo.

e não sei quê sobre mulheres e cerveja...

gostar de carros rápidos não é exactamente o mesmo que gostar de carros caros.


rasgar os rótulos da super-bock...
segurar o cabelo com os óculos de sol, quando ainda há sol...
perder mais de 15 minutos a tentar lembrar-me daquela marca de sandálias alemã, aquela muito conhecida, olha, a f. (que tens uns pés lindos) tem umas dessas, sim, azuis... concordo contigo, claro, ela tem muito mais que uns pés lindos...

tudo isto são indícios.

in-bé-thil

tu até me podes chamar imbecil, desde que seja com pronúncia espanhola. há qualquer coisa na tua língua entre os teus dentes que justifica tudo o que disseres.
a tua língua entre os meus dentes justifica tudo.

proteste

- nunca tive reclamações quanto à minha performance...
- estás a falar do teu desempenho?
- sim. do meu desempenho sexual.
-... sabes, as mulheres sabem que se devem queixar às autoridades competentes, não às incompetentes.
- mas alguém comentou alguma coisa?
- não diria tanto. nem tão pouco...

clockwork

à 3ª-feira, neste sítio, a beatriz (deve ter praí uns 4 anos) leva um tabefe, puco gentilmente administrado pela senhora sua mãe.
isto é um facto.

2007/05/02

fio frio

as demoras não são horas, são dias.
e eram cheias as horas em que me vias.
as ideias, as veias.

o ferro já não em brasa é o que mais queima.