comentário, in situ: isto foram os drogados.
2026/05/22
2026/05/11
smashed pumpkins
leio, nas palavras de rui cardoso martins e no livro "as melhoras da morte", a seguinte frase:
as melancias são mais sossegadas, disse o violador de ovelhas.
um homem morreu triste e tragicamente.
esse homem era um violador de ovelhas, mas, para além dessa inocente actividade, fazia favores sexuais a homens de bem, com imaculada reputação, digníssimos chefes de família, a troco de maços de tabaco ou garrafas de vinho.
um destes homens, para atestar a sua modernidade e amplitude de espírito, permaneceu sentado, imóvel, acompanhado pela esposa ténue e contrafeita, nas tábuas entre cadeiras que constituíam a plateia das sessões de cinema numa colectividade de província, para a segunda sessão da noite, já não um filme de pancadaria, mas antes um filme escandinavo, hard-core, de grandecíssima qualidade, jamais, no entender de alguns, igualada posteriormente. o acender de luzes não foi bonito, antes muito confrangedor em alguns casos.
este mesmo homem sugeriu ao futuro genro uma abóbora. em rigor, uma abóbora deixada ao sol, para aquecer (sempre achei este pormenor técnico uma referência de fino recorte).
duvido muito que me cruze com uma análise comparativa entre abóboras e melancias, mesmo tendo já contactado com este processo aplicado a outros vegetais.
as in busier than a cucumber in a nun convent.
2026/05/06
2026/04/27
do you have to let it linger?
apesar dos pesares,
este fim de semana lá contribuiu para a descida dos meus valores.
suave, mas no sentido certo.
um dia destes morro cheio de saúde.
espero viver antes.
nota mental, para memória futura:
aquela cena anti-fungos e bolores tem uma grande percentagem de lixívia, e o preto passa a abóbora com uma rapidez que comove...
o(s) meu(s) trasporte(s) pró trabalho estão em efeito dominó.
pode ser que apareça uma boleia.
dominatrix
2026/04/22
delicatessen
1 - se fossem um momento histórico, qual seriam?
eu - a invenção do bikini...? (inaudível)
eu - a invenção do bikini...? (inaudível)
2 - seria o maio de 69!
eu - esse maio foi em 68, mas gosto da tua maneira de pensar!
2026/04/15
adenda a "tartillo"
sempre foi e será como no verso da maria do rosário pedreira:
daqui até à morte é um instante
tartillo
na ribatejana cidade de almeirm descubro, à vista, como convite, das mentes mais dúcteis (quero acreditar), a obra "ramonera*", de elvis guerra.
elvis guerra é muxe’.
não é um muxe’ nem uma muxe’, é muxe’.
soube, há um ano ou dois, que ela(e) iria ao folio, em óbidos. fiquei sabedor disso exactamente no mesmo dia em que fiquei a saber o que significava muxe’.
folheio o livro. é poesia.
e estou há bastante tempo preso a:
gunaxhiee naa dxi ratania’
ti binnigola napa xtale iza.
em zapoteco até nem soa mal. isto é, não faço a mínima ideia como soa.
já em português...
amei-me quando me deitava
com um velho de cinquenta e oito anos
* um Ramón é um homem que se apresenta ao mundo como muito macho e heterossexual, mas que, quando está com uma muxe’, aceita secretamente ser penetrado. Ramoneras são muxes que assumem, durante o sexo, o papel considerado masculino
2026/03/27
katyusha, de matvey blanter
kom dízya viktor spodyiинe, recôrdare iét wívere
logo,
sem preservativo, não, que ficas prenha.
sem preservativo, não, que ficas prenha.
faz-me um broche que fico satisfeito!
faz-me um broche que eu faço-te um minete.
ou
нет презерватива — нет, ты забеременеешь.
нет презерватива — нет, ты забеременеешь.
cделай мне минет, и я буду доволен!
cделай мне минет, и я сделаю тебе минет.
ou ainda, porque nem toda a gente domina o cirílico
net prezervativa — net, ty zaberemeneyesh'.
net prezervativa — net, ty zaberemeneyesh'.
sdelay mne minet, i ya budu dovolen!
sdelay mne minet, i ya sdelayu tebe minet.
2026/03/18
2026/03/09
a espuma dos dias
sigo a rita matias no livro de caras.
faz parte de um estudo que ando a fazer.
não será uma investigação que alterará a ordem mundial ou o quotidiano do dia-a-dia, como dizia o outro, é uma coisita pequena, que tem a ver com dedais, passe-vites, molas de roupa e armas de fogo de pequeno calibre.
a rita matias está grávida.
e eu, meio distraído, após registar as cenas burocráticas na plataforma e enquanto os miúdos fazem o teste, estava a ler os comentários...
o último da imagem fez-me ter um pequeno ataque de riso. silencioso, claro, mas, ainda assim, distractor para alguns alunos.
os alunos menos atentos ao teste.
é injusto?
estudassem.
2026/03/05
serviço público
é isto e a necessidade de controlar a respiração, a de manter a calma, a de não explodir.
o zen, esse desconhecido.
o zen, esse desconhecido.
2026/02/19
2026/02/18
2026/02/11
memory lane
não sou de revivalismos por aí além e não acalento nostalgias musicais.
alguns artistas que contribuíram para a minha deformação já morreram, outros estão velhos, tal como eu.
mas a descoberta deste sítio animou-me, de certa forma.
quando o antónio sérgio desapareceu eu ouvia-o todos os dias. nem sempre assim foi, mas é como se tivesse sido, pois é como se a voz dele me tivesse acompanhado sempre. para mim, a xfm eram ele e a sofia morais, mais nada. gostava de (quase) tudo, mas era assim. sempre tive um fraquinho pela sofia. mais: acho que sempre desejei ter a voz, o bom gosto, a gravitas do antónio sérgio, e, com esse arsenal, encantar moças como a sofia. coisinhas minhas...
ouvir, hoje, os programas do antónio sérgio não tem comparação possível com o ir ver os duran duran, os depeche mode, ou outra qualquer banda "do meu tempo" em que, como li já há bastantes anos e que cada vez se torna mais verdadeiro, "grandes artistas se esforçam por caber em roupas pequenas demais para eles".
a música está lá (as vozes nem sempre), o talento, a, em alguns casos, irreverência. mas é sempre, de certo modo, olhar para uma coisa e ver outra.
já a audição de um programa de rádio, com a viva voz de alguém que já morreu, "acompanha-me" (num certo sentido existencial, à falte de uma melhor definição, neste momento) tanto hoje como no dia original.
e porque o direito à diferença se torna muito mais consciente na voz do antónio sérgio.
ainda me faltam muitos pinguepongues para ouvir (começo sempre a ouvir as coisas perto do seu fim, raios), mas é bom saber que esta acervo existe.
não tenho saudades do eu que ouvia o antónio sérgio, mas tenho saudades dele.
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