2026/02/11

memory lane

 


não sou de revivalismos por aí além e não acalento nostalgias musicais. 
alguns artistas que contribuíram para a minha deformação já morreram, outros estão velhos, tal como eu.
mas a descoberta deste sítio animou-me, de certa forma.
quando o antónio sérgio desapareceu eu ouvia-o todos os dias. nem sempre assim foi, mas é como se tivesse sido, pois é como se a voz dele me tivesse acompanhado sempre. para mim, a xfm eram ele e a sofia morais, mais nada. gostava de (quase) tudo, mas era assim. sempre tive um fraquinho pela sofia. mais: acho que sempre desejei ter a voz, o bom gosto, a gravitas do antónio sérgio, e, com esse arsenal, encantar moças como a sofia. coisinhas minhas...
ouvir, hoje, os programas do antónio sérgio não tem comparação possível com o ir ver os duran duran, os depeche mode, ou outra qualquer banda "do meu tempo" em que, como li já há bastantes anos e que cada vez se torna mais verdadeiro, "grandes artistas se esforçam por caber em roupas pequenas demais para eles".
a música está lá (as vozes nem sempre), o talento, a, em alguns casos, irreverência. mas é sempre, de certo modo, olhar para uma coisa e ver outra.
já a audição de um programa de rádio, com a viva voz de alguém que já morreu, "acompanha-me" (num certo sentido existencial, à falte de uma melhor definição, neste momento) tanto hoje como no dia original. 
acho que das melhores coisas da cidade onde vivo é o cine-clube. 
lembrei-me agora.
passa filmes bons, só para alguns: aqueles que os querem ver.
e porque o direito à diferença se torna muito mais consciente na voz do antónio sérgio.
ainda me faltam muitos pinguepongues para ouvir (começo sempre a ouvir as coisas perto do seu fim, raios), mas é bom saber que esta acervo existe.
não tenho saudades do eu que ouvia o antónio sérgio, mas tenho saudades dele.

2026/02/06

bi

 


"o bocas"

Em 2012, já com mais de 80 anos, Cecília tomou a decisão de restaurar o quadro “Ecce Homo”, de Elías García Martínez. O facto de não saber pintar não a deteve. O quadro original representava Jesus Cristo com uma coroa de espinhos, a cabeça inclinada em sofrimento resignado. Quando Cecilia Giménez terminou de o restaurar, o quadro exibia um anónimo que parecia ter sobrevivido a um incêndio, mas agora estava, apesar de desfigurado, com um barrete que aparentava ser quentinho. Tinha um arremedo de nariz, uma vaga boca esbatida, e uns olhos que se diria terem sido pintados pelo próprio Modigliani, se o pintor italiano tivesse tido dois enfartes.

ricardo araújo pereira, no expresso de hoje

o título deste post é o mesmo de um jornal humorístico editado durante meia dúzia de semanas (ou menos), em meados dos anos oitenta. o clube de imprensa alega que apenas saiu o nº 1, eu 1983, mas eu tenho a certeza (?) que comprei dois ou três números, pelo menos.

este dia teve chatices várias em diferentes horas do dia. 
acontece. 
faz parte.
tenho as minhas formas de calibrar as cenas na minha cabeça.
não que seja só benéfico ou que seja pacífico. é o que é, sou como sou.
uma delas é fazer pausas, que, às vezes, se arrastam por muito mais tempo do que o devido (por exemplo, fui mesmo confirmar o que o clube de imprensa dizia sobre o jornal. ali em baixo deverei incluir um excerto do artigo) e que, arrastando-se ou não, são sempre acompanhadas por auto-recriminação.

seja como for, o excerto acima provocou uma reacção análoga à de alguns textos d'o bocas, ou a de duas ou três páginas (mais essas, muito mais do que todas as outras desse livro, apesar da sua prodigalidade, neste sentido) de um livro de tom sharpe. ou a uma frase, especificíssima, de outro livro do mesmo autor, que incluía um ralador... 
digamos que provocou a reacção que levou o sr. luís a pensar que eu deveria ser deficiente a avaliar pelo comportamento exibido.


o humor tuga, tal como no aludido artigo:

Existe um tipo de Humor característico da gente lusitana? Sim, existe. A tradição vem muito de trás, de Gil Vicente, com o seu linguajar vernáculo. E das cantigas de escárnio-e-mal-dizer. E dos antigos “robertos-de-feira”, cujas piadas eram sempre sublinhadas à traulitada. A nossa sátira baseia-se, historicamente, quase sempre, na piada pesadona, bruta, malcriada, perante a qual o Humor refinado é como uma picadinha de alfinete, em comparação com uma valente cacetada.

Não é, portanto, um Humor requintado e elegante, muito longe disso. E também aqui, como noutros capítulos da produção artística destinada ao grande público, este tem, como costuma dizer-se, aquilo que merece e de que gosta. Os Autores trabalham “em estilo grosso” para um público que não é fino.



2026/02/05

vida normal

já é amanhã e eu ainda estou no dia de trabalho.
e passam os cock robin na radar. 

pequeninas coisas.

tantucock comu robin.

2026/02/04

a pena e a espada

a minha amiga P, que é uma querida, foi salva pelo punho de uma espada de cavalaria...
mais dramático do que isto não estou a ver.
pelo menos a uma sexta-feira.


2026/01/30

2026/01/17

alfa ra bista, baby!

 


2026/01/07

alistamento

este ano não há cá paneleirices de top de avaliação de merdas, tipo  melhor experiência musical, melhor pôr-do-sol, melhor refeição, e o caralho...
só me ocorrem os piores disto tudo, mas fica apenas o registo da pior experiência musical: o último disco do(s) tame impala: fica muito aquém dos anteriores, mas ainda assim passa por aqui até à exaustão. é quando se cozinha, é quando se caga, é, particularmente, quando se toma banho... enfim, malta nova.

há vários anos vi isto e achei muito bom.
porque o rapinanço é uma forma de homenagem, fica pendurado aqui. se calhar até já está, não garanto nada...


notas mentais para cenas:
- assalto à azeitona
- fila indiana
- rebuçados de mentol
- (fds... quando comecei a lista ainda me lembrava de mais uma ou duas. uma dava para adultos e crianças, disso lembro-me)
- ver se a cena prá memória que se comprou há dois anos e que nunca foi encetado ainda tem validade... pelo amanho do canudo, espero que seja efervescente.

______________________ 


hoje esteve um dia limpo e frio... é nestes dias que são filmados muitos anúncios televisivos que se vêem no verão. 
ontem fui de bicicleta, apenas de t-shirt e camisa de ganga. estava frio, mas não senti frio.
hoje fui de mota, mas com roupagem mais substancial. idem.
gostei do frio na cara, ontem e hoje.
H. dizia-me que "estava demasiado frio para andar de mota". 
 esclareci: gosto de me sentir vivo, de vez em quando!

2025/12/30

nadaver revisited

 


garbanzos al ajillo

 


2025/12/27

nadaver

 





2025/12/21

city of lights

 


2025/12/20

random

 


2025/12/16

i need a coffee

comecemos pelo fim, que foi chegar aqui e dar-me com isto:


botão G e etc.
enfim...
agora não tenho tempo para a  (psic)análise disto tudo.


o que se passa é que a pessoa acaba de almoçar perto das três e sobre isso nada a dizer, tudo bem, faz parte, com estorário.
nou big dil
a pessoa almoça algo rápido e engordante, mas sente-se bem porque o pesto é caseiro, com manjericão mantido cá pelo je há coisa de dois anos, feito que, dizem-me - e eu acredito ao ponto de partilhar esta informação com herr direktor (eu e os silêncios incómodos) -, é muito difícil de fazer, que isto é ser de muita atenção e cuidados, ou então não e sou só eu que me dou com gente desleixada, porque me sinto em casa, apesar de não coiso. uzalhos vieram do sweet-drop, as nozes vieram de um frasco (e ainda bem) as que havia, descascadas pela inquisição espanhola, estavam já todinhas muito mais para lá do que para cá). parmiggiano regiano parmigiano reggiano costuma haver, até por causa do miúdo e, na falta de outro fromagio, marcha aquele, assim à antiga. ainda que ao miúdo (a preguiça é a mãe da miséria), de vez em quando, lhe dê para comprar pecorino romano.

o que (ainda) se passa é que a pessoa, mesmo sabendo que as merdas e as coisas de trabalho continuam ali a levedar (é-se assaltado pela memória de situação específica: a da rapariga de 22 anos que tomou 605-forte e foi levada pró hospital de santarém, onde, mesmo com a lavagem ao estômago e isso tudo, já nada havia que se pudesse fazer. permaneceu ali 6-seis-6 dias, à espera...), insiste em ver bocadinhos de filmes que não ficarão para a história enquanto almoça. como los mayores: "sempre é uma companhia"...

nisto, num desses tais filmes, aparece um diálogo muito cool. se retirado da cena, mais cool ainda, imagino eu. e digo isto com toda a autoridade moral: não a de realizador ou argumentista, mas a de pessoa que, ainda que num tom muito diferente, ou, até, no mesmo tom, mas com outra intencionalidade, era capaz de, na vida, usar as mesmíssimas palavras. e é a arte que imita a vida, e nem sempre o contrário.

" - i had a dream abaout the sea, last night.
- did you get wet?
- i walked right in.
- ...
- i was like falling in love...
- ...
- it smelled like a woman.
- ...
- tasted like one, too.

________________________ 


epá... é igual ao do moço que coiso...


 este:

2025/12/15

talk the talk, walk the walk

- foi aprovada a lei, na polónia. o álcool é considerado agravante.
- há quem ache que é atenuante. nunca achei, muito pelo contrário.
- concordo.
- sim... há quem tenha mau vinho. tenho um primo que...
- é. a minha irmã também. péssimo, mesmo!
- a mim, dá-me para rir. sou da paz e da animação, com os copos. gosto disso.
- eu fico lânguida. e gosto.
- a sério? temos de nos embebedar juntos.



2025/12/08

pré-aviso de greve

sim, vou fazer.
sem esperança.
sem convicção 
a não ser num princípio pessoal de coerência.
assumindo o anacronismo inerente, 
que o é, de facto.
é triste e perigoso, claro, o anacronismo.
mas é um facto.
isto está entregue aos bichos, nomeadamente a alguns herbívoros.
muito em breve estará entregue às feras, já sem dissimulação.
mas vou fazer.
pago o preço, que inclui uma certa dose de ridículo.
é triste e perigoso, este ridículo.


been there, done that...

2025/12/06

cantando. e rindo?

 


2025/12/02

mão jericão

 


2025/11/18

filhos da puta

 


mas estou eu, após 10 horas de trabalho non-stop, a "formar-me" nestas merdas??
o que caralho são analytics educacionais?
metam a gamificação no cu!
autorassistido???