2026/07/12
2026/06/25
grandes lábios
conheço muito poucos jogadores da selecção nacional de futebol.
não é snobismo ou pretensiosismo, apenas não tenho visto jogos de futebol nos últimos anos.
não é snobismo ou pretensiosismo, apenas não tenho visto jogos de futebol nos últimos anos.
mas, de facto, não sei os nomes deles.
mas, não sabendo isso, sei outras coisas, umas que sei que sei, outras que vou descobrindo que sei.
purizemplo, sei, minimamente, ler os lábios. isto nada teria de extraordinário (e continuará a não ter) se eu não tivesse tido a consciência de que o sei fazer até quando as frases são em duas línguas.
no jogo de portugal contra o ubzeq, uszqueb, no último jogo de portugal li mui claramente a frase "yellow card, filho da puta!".
não sei como se chama o moço que disse isso.
sei que marcou o segundo golo, logo, é fácil de identificar.
qualquer criancinha do sbortem o consegue fazer.
só vi a marcação do golo no intervalo, derivado a estar a atender a situações mais ou menos urgentes.
gostei de ver.
2026/06/04
a rose is a rose
há muitos anos, tendo esticado ao máximo, calhando até para lá disso, a minha linha argumentativa sobre um tema de que não me lembro, e quase em desespero de causa, proferi a lapidar frase:
a afirmação do óbvio implica uma superação do óbvio.
estranhamente, e graças a todos os deuses, não houve follow-up questions. apenas de fez um silêncio reflexivo e/ou reverencial.
2026/05/31
matéria excrementícia
péssima decisão...
uma manhã de primavera, inteirinha, a ver testes de merda.
uma manhã de primavera, inteirinha, a ver testes de merda.
não digo uma peça de fruta, mas poderia dizer. seguramente uma volta de bike, uma caminhada, dar uma volta de mota, qualquer merda prá saúde do corpo e da cabeça, preferencialmente de ambos.
emfim...
felizmente a radar esteve bem, apesar de eu achar que reciclaram um programa de um dezembro qualquer... ou então estão mesmo já, agora, a pensar no natal.
2026/05/30
a estreia de david
tenho carradas de merdas para fazer, como sempre. corrigir testes e fazer um trabalho para a formação de lógica proposicional encabeçam a lista, que inclui coisas muito mais importantes, como mudar a roda de trás da chaimite (apesar das temperaturas quase proibitivas para ir de bicicleta pó trabalho) ou aspirar a casa...
em vez de, estive a ler "uma coisa supostamente divertida que nunca mais vou fazer", de david foster wallace. mais precisamente "federer, carne e não só", devido ao número de páginas, compatível com a minha culpa de não estar a fazer nada de (mais) produtivo.
pessoas menos esclarecidas talvez dissessem "mais valia teres ficado a dormir", mas não...
o nome dizia-me algo. ainda diz, mas não sei o quê. isto é, já ouvi o nome, já contactei com a referência, mas não me lembro das circunstâncias e muito menos do contexto. mas foi um nome que fixei.
acontece-me muito, com nomes. nem só nomes de pessoas. por exemplo, aconteceu-me com o nome da capital de madagáscar, mas não o sei de cor. mas fixei. e quando o ouvir, se o reconhecer, repararei que o havia fixado. "anna" deve ter a ver, pois estabeleci uma relação mental entre anna e o nome da capital de madagáscar, que desconheço.
fui ver
(não quem era, e muito menos era a neve, que estamos em fase de onda de calor, que seria um nome mais ou menos para uma novela da hora do almoço se não estivesse associada a destruição e morte e incêndios e gado com sede e isso tudo)
antananarivo
é a capital de madagáscar.
e a minha associação a "anna" só pode vir do facto de os locais usarem o diminutivo "tana" para a sua capital.
não sei o que sabia sobre david foster wallace, mas, até há poucas horas, de facto ou conscientemente, nada sabia.
e pouco melhor estou, apesar de duas circunstâncias mui ilustrativas, para mim, de que tomei conhecimento: parte da sua obra e o seu suicídio.
e encontrei isto:
2026/05/22
2026/05/11
smashed pumpkins
leio, nas palavras de rui cardoso martins e no livro "as melhoras da morte", a seguinte frase:
as melancias são mais sossegadas, disse o violador de ovelhas.
um homem morreu triste e tragicamente.
esse homem era um violador de ovelhas, mas, para além dessa inocente actividade, fazia favores sexuais a homens de bem, com imaculada reputação, digníssimos chefes de família, a troco de maços de tabaco ou garrafas de vinho.
um destes homens, para atestar a sua modernidade e amplitude de espírito, permaneceu sentado, imóvel, acompanhado pela esposa ténue e contrafeita, nas tábuas entre cadeiras que constituíam a plateia das sessões de cinema numa colectividade de província, para a segunda sessão da noite, já não um filme de pancadaria, mas antes um filme escandinavo, hard-core, de grandecíssima qualidade, jamais, no entender de alguns, igualada posteriormente. o acender de luzes não foi bonito, antes muito confrangedor em alguns casos.
este mesmo homem sugeriu ao futuro genro uma abóbora. em rigor, uma abóbora deixada ao sol, para aquecer (sempre achei este pormenor técnico uma referência de fino recorte).
duvido muito que me cruze com uma análise comparativa entre abóboras e melancias, mesmo tendo já contactado com este processo aplicado a outros vegetais.
as in busier than a cucumber in a nun convent.
2026/05/06
2026/04/27
do you have to let it linger?
apesar dos pesares,
este fim de semana lá contribuiu para a descida dos meus valores.
suave, mas no sentido certo.
um dia destes morro cheio de saúde.
espero viver antes.
nota mental, para memória futura:
aquela cena anti-fungos e bolores tem uma grande percentagem de lixívia, e o preto passa a abóbora com uma rapidez que comove...
o(s) meu(s) trasporte(s) pró trabalho estão em efeito dominó.
pode ser que apareça uma boleia.
dominatrix
2026/04/22
delicatessen
1 - se fossem um momento histórico, qual seriam?
eu - a invenção do bikini...? (inaudível)
eu - a invenção do bikini...? (inaudível)
2 - seria o maio de 69!
eu - esse maio foi em 68, mas gosto da tua maneira de pensar!
2026/04/15
adenda a "tartillo"
sempre foi e será como no verso da maria do rosário pedreira:
daqui até à morte é um instante
tartillo
na ribatejana cidade de almeirm descubro, à vista, como convite, das mentes mais dúcteis (quero acreditar), a obra "ramonera*", de elvis guerra.
elvis guerra é muxe’.
não é um muxe’ nem uma muxe’, é muxe’.
soube, há um ano ou dois, que ela(e) iria ao folio, em óbidos. fiquei sabedor disso exactamente no mesmo dia em que fiquei a saber o que significava muxe’.
folheio o livro. é poesia.
e estou há bastante tempo preso a:
gunaxhiee naa dxi ratania’
ti binnigola napa xtale iza.
em zapoteco até nem soa mal. isto é, não faço a mínima ideia como soa.
já em português...
amei-me quando me deitava
com um velho de cinquenta e oito anos
* um Ramón é um homem que se apresenta ao mundo como muito macho e heterossexual, mas que, quando está com uma muxe’, aceita secretamente ser penetrado. Ramoneras são muxes que assumem, durante o sexo, o papel considerado masculino
2026/03/27
katyusha, de matvey blanter
kom dízya viktor spodyiинe, recôrdare iét wívere
logo,
sem preservativo, não, que ficas prenha.
sem preservativo, não, que ficas prenha.
faz-me um broche que fico satisfeito!
faz-me um broche que eu faço-te um minete.
ou
нет презерватива — нет, ты забеременеешь.
нет презерватива — нет, ты забеременеешь.
cделай мне минет, и я буду доволен!
cделай мне минет, и я сделаю тебе минет.
ou ainda, porque nem toda a gente domina o cirílico
net prezervativa — net, ty zaberemeneyesh'.
net prezervativa — net, ty zaberemeneyesh'.
sdelay mne minet, i ya budu dovolen!
sdelay mne minet, i ya sdelayu tebe minet.
2026/03/18
2026/03/09
a espuma dos dias
sigo a rita matias no livro de caras.
faz parte de um estudo que ando a fazer.
não será uma investigação que alterará a ordem mundial ou o quotidiano do dia-a-dia, como dizia o outro, é uma coisita pequena, que tem a ver com dedais, passe-vites, molas de roupa e armas de fogo de pequeno calibre.
a rita matias está grávida.
e eu, meio distraído, após registar as cenas burocráticas na plataforma e enquanto os miúdos fazem o teste, estava a ler os comentários...
o último da imagem fez-me ter um pequeno ataque de riso. silencioso, claro, mas, ainda assim, distractor para alguns alunos.
os alunos menos atentos ao teste.
é injusto?
estudassem.
2026/03/05
serviço público
é isto e a necessidade de controlar a respiração, a de manter a calma, a de não explodir.
o zen, esse desconhecido.
o zen, esse desconhecido.
2026/02/19
2026/02/18
2026/02/11
memory lane
não sou de revivalismos por aí além e não acalento nostalgias musicais.
alguns artistas que contribuíram para a minha deformação já morreram, outros estão velhos, tal como eu.
mas a descoberta deste sítio animou-me, de certa forma.
quando o antónio sérgio desapareceu eu ouvia-o todos os dias. nem sempre assim foi, mas é como se tivesse sido, pois é como se a voz dele me tivesse acompanhado sempre. para mim, a xfm eram ele e a sofia morais, mais nada. gostava de (quase) tudo, mas era assim. sempre tive um fraquinho pela sofia. mais: acho que sempre desejei ter a voz, o bom gosto, a gravitas do antónio sérgio, e, com esse arsenal, encantar moças como a sofia. coisinhas minhas...
ouvir, hoje, os programas do antónio sérgio não tem comparação possível com o ir ver os duran duran, os depeche mode, ou outra qualquer banda "do meu tempo" em que, como li já há bastantes anos e que cada vez se torna mais verdadeiro, "grandes artistas se esforçam por caber em roupas pequenas demais para eles".
a música está lá (as vozes nem sempre), o talento, a, em alguns casos, irreverência. mas é sempre, de certo modo, olhar para uma coisa e ver outra.
já a audição de um programa de rádio, com a viva voz de alguém que já morreu, "acompanha-me" (num certo sentido existencial, à falte de uma melhor definição, neste momento) tanto hoje como no dia original.
e porque o direito à diferença se torna muito mais consciente na voz do antónio sérgio.
ainda me faltam muitos pinguepongues para ouvir (começo sempre a ouvir as coisas perto do seu fim, raios), mas é bom saber que esta acervo existe.
não tenho saudades do eu que ouvia o antónio sérgio, mas tenho saudades dele.
2026/02/06
"o bocas"
Em 2012, já com mais de 80 anos, Cecília tomou a decisão de restaurar o quadro “Ecce Homo”, de Elías García Martínez. O facto de não saber pintar não a deteve. O quadro original representava Jesus Cristo com uma coroa de espinhos, a cabeça inclinada em sofrimento resignado. Quando Cecilia Giménez terminou de o restaurar, o quadro exibia um anónimo que parecia ter sobrevivido a um incêndio, mas agora estava, apesar de desfigurado, com um barrete que aparentava ser quentinho. Tinha um arremedo de nariz, uma vaga boca esbatida, e uns olhos que se diria terem sido pintados pelo próprio Modigliani, se o pintor italiano tivesse tido dois enfartes.
ricardo araújo pereira, no expresso de hoje
o título deste post é o mesmo de um jornal humorístico editado durante meia dúzia de semanas (ou menos), em meados dos anos oitenta. o clube de imprensa alega que apenas saiu o nº 1, eu 1983, mas eu tenho a certeza (?) que comprei dois ou três números, pelo menos.
este dia teve chatices várias em diferentes horas do dia.
acontece.
faz parte.
tenho as minhas formas de calibrar as cenas na minha cabeça.
não que seja só benéfico ou que seja pacífico. é o que é, sou como sou.
uma delas é fazer pausas, que, às vezes, se arrastam por muito mais tempo do que o devido (por exemplo, fui mesmo confirmar o que o clube de imprensa dizia sobre o jornal. ali em baixo deverei incluir um excerto do artigo) e que, arrastando-se ou não, são sempre acompanhadas por auto-recriminação.
seja como for, o excerto acima provocou uma reacção análoga à de alguns textos d'o bocas, ou a de duas ou três páginas (mais essas, muito mais do que todas as outras desse livro, apesar da sua prodigalidade, neste sentido) de um livro de tom sharpe. ou a uma frase, especificíssima, de outro livro do mesmo autor, que incluía um ralador...
digamos que provocou a reacção que levou o sr. luís a pensar que eu deveria ser deficiente a avaliar pelo comportamento exibido.
o humor tuga, tal como no aludido artigo:
Existe um tipo de Humor característico da gente lusitana? Sim, existe. A tradição vem muito de trás, de Gil Vicente, com o seu linguajar vernáculo. E das cantigas de escárnio-e-mal-dizer. E dos antigos “robertos-de-feira”, cujas piadas eram sempre sublinhadas à traulitada. A nossa sátira baseia-se, historicamente, quase sempre, na piada pesadona, bruta, malcriada, perante a qual o Humor refinado é como uma picadinha de alfinete, em comparação com uma valente cacetada.
Não é, portanto, um Humor requintado e elegante, muito longe disso. E também aqui, como noutros capítulos da produção artística destinada ao grande público, este tem, como costuma dizer-se, aquilo que merece e de que gosta. Os Autores trabalham “em estilo grosso” para um público que não é fino.
2026/02/05
vida normal
já é amanhã e eu ainda estou no dia de trabalho.
e passam os cock robin na radar.
pequeninas coisas.
tantucock comu robin.
2026/02/04
a pena e a espada
a minha amiga P, que é uma querida, foi salva pelo punho de uma espada de cavalaria...
mais dramático do que isto não estou a ver.
pelo menos a uma sexta-feira.
2026/01/30
2026/01/17
2026/01/07
alistamento
este ano não há cá paneleirices de top de avaliação de merdas, tipo melhor experiência musical, melhor pôr-do-sol, melhor refeição, e o caralho...
só me ocorrem os piores disto tudo, mas fica apenas o registo da pior experiência musical: o último disco do(s) tame impala: fica muito aquém dos anteriores, mas ainda assim passa por aqui até à exaustão. é quando se cozinha, é quando se caga, é, particularmente, quando se toma banho... enfim, malta nova.
há vários anos vi isto e achei muito bom.
porque o rapinanço é uma forma de homenagem, fica pendurado aqui. se calhar até já está, não garanto nada...
notas mentais para cenas:
- assalto à azeitona
- fila indiana
- rebuçados de mentol
- (fds... quando comecei a lista ainda me lembrava de mais uma ou duas. uma dava para adultos e crianças, disso lembro-me)
- ver se a cena prá memória que se comprou há dois anos e que nunca foi encetado ainda tem validade... pelo amanho do canudo, espero que seja efervescente.
______________________
hoje esteve um dia limpo e frio... é nestes dias que são filmados muitos anúncios televisivos que se vêem no verão.
ontem fui de bicicleta, apenas de t-shirt e camisa de ganga. estava frio, mas não senti frio.
hoje fui de mota, mas com roupagem mais substancial. idem.
gostei do frio na cara, ontem e hoje.
H. dizia-me que "estava demasiado frio para andar de mota".
esclareci: gosto de me sentir vivo, de vez em quando!
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