2012/12/28

passagem dano

ou
o trocadilho da época
 

2012/12/19

no prob

há uns tempos, parece, estava a ler um livro que já tinha lido.
independentemente de essa situação ser propiciadora de uma leitura "virgem", logo, um prazer igualmente "virgem" (nota mental: averiguar o verdadeiro alcance e/ou possibilidade desta situação), trata-se de um episódio sintomático.
querem ver que eles têm mesmo razão quando dizem que certos consumos destroem células do cérebro?
nevermind, que o me me traz aqui é o episode II:
fui aqui e comprei dois livros.
um deles até já o tinha, exactamente a mesma edição... mas o que é verdadeiramente assustador é, neste momento, não fazer a mínima ideia se já o li ou não.


2012/12/11

20yearsago


espada goda, de folha larga

lê-se com prazer, por estes dias, "a illustre casa de ramires", do eça.
escreve-se mesmo assim, que a edição é de 1920.
literatura de há não sei quantos acordos ortográficos atrás, mas com aspectos muitíssimo actuais (laivos autobiográficos incluídos).
e faz sentido.
muito mais sentido do que o mundo, em geral ou particular.

2012/11/20

... mas diferente.

 


mais lenha para a fogueira

x - os mais grossos são bons para meter atrás.
eu - a sério? interessante, essa tua ideia.

2012/11/14

2012/11/13

great cover, not cohen cover

leite URAS, com cálcio.

após releitura d'"o retrato de dorian grey", vai-se lendo isto:


e não se tem a certeza se é ou não releitura. esta situação acontece com muito maior frequência do que se desejaria. por outro lado, fica muito mais em conta: em chegados ao fim da estante volta-se ao início (de fora ficam as excepções, óbvias, dos livros com anotações e sublinhados. memória fraca, sim. respeitinho, não). a situação acima descrita nada tem a ver com o valor literário das obras obliteradas...

este mundo não é para velhos


web log

- pai, sabes como se chama aquela canção que me mostraste? queria aprender a tocar... no piano.
- sei, chama-se "riverside".
- como se chama a menina?
- agnes obel... queres que ta passe? isso tem bluetooth?
- tem...
- ok, trato já disso. ...
- "sexgod"... és tu, pai?
- aaaaaaaaa... sou...
(risos)

2012/11/05

2012/11/02

wrapping paper

a filha da puta da raposa fodeu-me 3 galinhas.
só conseguiu levar uma, mas preferia que tivesse levado todas as que matou.
e uma das pretas, que foi atacada, está que não sei não...

(eu já li bué livros grossos. já li o do desassossego, purizemplo. juro. duas vezes)

2012/10/18

2012/10/11

butterflies

vou lavar-te comido,
vou lavar-te comido,
vou lavar-te comido, meu irmão,
vou lavar-te comido.

inox

uma avaliação parcelar, por muito positiva que seja, tende a perder a interpretação do seu carácter parcelar. não costuma ser o meu caso, em sede de auto avaliação, principalmente dada a raridade da ocorrência de avaliação positiva. muito menos muito positiva. talvez se possa dizer que a expressão "foi muito bom" sintetize isto tudo. só recentemente me habituei a esta frase. dava-se quase sempre o caso de não usar o termo "bom" e isso levava a que o "foi" não o fosse... era um sendo. mas foi. já não é. foi muito bom. incrivelmente bom, apesar de... (é de auto avaliação de que se fala aqui). há dias em que sublinho o tempo verbal, outros há em que sublinho o adjectivo. é (deve ser) a vida.

random statements





 


2012/09/27

é certo que há elementos essenciais à identidade.
é incerto que eu, agora, tenha uma identidade.
a carência, a falta.

2012/09/26

lê-se isto, por estes dias...


e há palavras cool, como jerarquia e cafarnaum... (esta última usado substantivamente).
mais ou menos como isto.

2012/09/02

caroço

não se deve confundir a sensação de vazio com tranquilidade de espírito...

2012/08/01

guitar resting boob

arles, ou coisa parecida.


não sabia há quanto tempo ali se encontrava. saiu do seu torpor pelo gesto brusco da súbita pressão dos dedos, os seus dedos, que agora reconhecia seus, na garrafa de cerveja que segurava na mão direita. bebeu longamente. ainda estava fresca, apesar da sensação de a ter comprado noutra cidade e noutro dia.
sentou-me muito direito na pequena cadeira de plástico aparafusada àquilo que tinha sido a base de um cavalo de carrossel. era da sombra de um carrossel que tentava reconhecer o local onde não tinha consciência de ter chegado.
à sua esquerda estendia-se uma praia pouco acolhedora. naquela luz de fim de tarde, as sombras alongadas dos montículos de areia suja pareciam orifícios para outra dimensão, como se uma espécie de membrana metálica se estendesse até à linha da pastosa, suave e cinzenta ondulação. elevava-se da praia algo que poderia ser confundido com areia fina, criando uma neblina que envolvia todo o espaço circundante.
sentiu as costas encharcadas de suor quando se voltou para o lado esquerdo no seu desconfortável assento -  "isto foi pensado para crianças" - e acabou a cerveja. todos os movimentos lhe eram vagamente dolorosos.
atirou a garrafa vazia para o chão de poeira, nas imediações do carrossel. o ruído atraiu imediatamente cerca de uma dezena de crianças de idade indeterminada. tez escura  e roupas de adulto, muitos números acima... o ruído da garrafa propriamente dito não foi por ele ouvido. os sons do exterior, todos os sons de todo o espaço exposto ao sol, chegavam-lhe aos ouvidos muitíssimo abafados, como se a sombra fosse um estúdio de rádio.
- vêm em ninhadas.
a voz vinha de alguém no assento do lado. tentou olhar na direcção da voz mas uma rigidez que até então não se tinha manifestado impediu essa movimentação com naturalidade. rodou para a direita em pequenos movimentos, cumprindo intermitentemente um quarto de rotação. finalmente viu um homem jovem, com bigode e cabelo liso, que, tal como ele, parecia estar a orientar-se em relação ao exterior do carrossel. fixou a atenção no lobo da orelha esquerda do homem. um corte com uma cicatriz recente quase o separava da orelha, criando, em quem observava, uma quase necessidade de completar este processo de separação.
"todos estes cabrões falam francês e são ciganos". esta ideia surge-lhe no espírito repentinamente e ele apercebeu-se imediatamente que não eram bem ciganos, nem era o francês de que ele se recordava que era por ali falado.
- há quem queira fazer uma limpeza, como eles dizem, a isto tudo - disse, em jeito de resposta. surpreendentemente, parecia fazer-se entender com uma fluência de que não suspeitava.
o homem permaneceu imóvel, não exibindo qualquer sinal de que o tivesse ouvido. Após uns segundos, no entanto, escarrou para o local onde antes tinha caído a garrafa e respondeu:
- eles não querem. mesmo que quisessem, não conseguiriam.
- não digo que não. - concluiu, enquanto focava o olhar na base da muralha de pedra. 
quase todos os homens se vestiam de preto e falavam com entusiasmo. havia-os em aparente regresso da praia, no grande espaço aberto entre o carrossel e a parede de pedra que, não sendo uma muralha, era antes a fachada ligeiramente curva de uma grande estrutura em pedra e, por fim, em pequenos círculos junto à parede. "isto parece um coliseu romano" - pensou -  "muito parecido com arles. pelo menos é parecido com um filme que se dizia filmado em arles". mas a relação deste local com a imagem de arles era mais evocativa do que... 
havia, na parte superior da estrutura, qualquer coisa de anto, de muito antigo. "romano, quase de certeza". a  base era quase monolítica. "um circo romano sobre um castelo templário". assinalou a incongruência histórica mas a descrição pareceu-lhe suficientemente precisa. "pedra antiga, aparelhada por gente antiga".
os contrafortes criavam recantos onde o vento tinha acumulado lixo de todos os tipos e grupos de mulheres acocoradas, não, sentadas em pequenos bancos, e que estendiam os braços à sua frente, quase na horizontal, na direcção do centro do grupo, como se aquecessem as mãos em fogueiras inexistentes.
havia lixo espalhado por todo o espaço e em grandes quantidades. ocasionalmente, ressequidos rótulos de garrafas de detergente e de bebidas alcoólicas rodopiavam no ar. pequenas fitas de papel branco espalhavam pelo largo aquilo que haviam sido documentos oficiais.
foi o tapete de fragmentos de plástico brilhante, imitação de metal cromado, que o fizeram aperceber-se das pistolas. eram pistolas de plástico, deste plástico brilhante. eram transportadas por rapazes de uns 12 ou 13 anos em grandes feixes atados com arames. 
todas as pessoas do sexo masculino que podia ver ou tinham uma pistola deste tipo ou pretendiam adquirir uma a um dos rapazes. gesticulavam expansivamente, numa atitude de um regatear exageradamente cénico.
havia um espaço em semi-círculo contíguo à muralha em que alguns objectos que se destacavam do restante lixo pelas suas maiores dimensões, aparentemente animados por súbita vida própria, davam repentinas piruetas pelo ar. garrafas de vidro pareciam, àquela distância, autoimplodir-se.
no espírito do nosso observador, a ligação entre as pistolas de imitação, de aspecto fágil e pouco elaborado, visivelmente baratas, e esta espécie de dança de lixo não foi imediata.
com uma focagem do olhar tornou-se evidente: as pistolas eram a causa da agitação do lixo. os homens apontavam bruscamente, com o braço flectido. disparavam em sequências de três tiros, após o que atiravam as pistolas, aparentemente agora tornadas inúteis, para o monte de lixo.
sentiu um toque na perna esquerda e contraiu-a reflexivamente.
um rapaz de idade incerta olhava-o com intensidade, numa expressão que talvez pudesse ser considerada como sorridente. ele associava aquele tipo de rosto à mendicidade de esferográficas no norte de áfrica...
oferecia-lhe várias pistolas, de várias cores brilhantes. assim a curta distância estes objectos continuavam desprovidos de qualquer aspecto que se associasse a algo mortífero. na mão esquerda o rapaz exibia vários  conjuntos de três pilhas AA, embrulhados em plástico transparente. a sua incompreensão da situação fez com que o rapaz abrisse um destes cartuchos, retirasse as pilhas e as colocasse na coronha de uma das pistolas, coisa que fez com uma rapidez de movimentos impressionante. despejou este estranho carregador na direcção da praia, fazendo levantar pequenas porções de areia cinzenta a poucos centímetros dos pés de uma mulher que se dirigia para o muro.
impassivelmente, o rapaz introduz mais pilhas na coronha de outra pistola. segura-a pelo cano e oferece-lha.
tomou-a na mão. "muito leve, como um brinquedo", pensou.
sem qualquer hesitação retirou, não sem esforço, uma moeda do bolso das calças. era, tanto quanto ele poderia supor, uma antiga moeda de prata, muito fina, de cunhagem muito irregular. atirou-a ao rapaz, que, de imediato lhe entregou três pistolas, atadas com um arame.
- o que é que se há-de fazer...? - disse, com ar abatido, o homem de bigode.
encontrava-se ainda a avaliar a inacreditável leveza da arma, enquanto segurava as restantes armas, igualmente leves e inverosímeis, na outra mão. observava com interesse o reflexo do seu rosto naquele objecto quando se apercebeu da presença dela, em contraluz com a praia. aparentemente o carrossel encontrava-se a descrever um lentíssimo processo de rotação, de modo que, agora, tinha a praia cinzenta mesmo à sua frente.
ela tinha vestido um manto leve, preso no ombro esquerdo. um manto de um azul vivo, exactamente igual ao azul dos seus olhos. uns olhos azuis que, sendo muito improváveis em alguém com aquela pele cor de bronze, provocavam, pela beleza do conjunto, um violento efeito em quem os pudesse ver. toda a sua atenção, todo o seu interesse, toda a sua vida estavam agora no rosto levemente sorridente, profundamente distante, daquela mulher. o homem de bigode articulou meia frase - "menos mal. não tiveste que esperar muito tempo para... - e foi abruptamente interrompido pelo disparo à queima-roupa que o atingiu na face esquerda.
duas coisas o surpreenderam em igual medida: a actuação da pistola, tão silenciosa quanto eficaz: o homem do bigode, agora só com meio bigode, jazia numa crescente poça lamacenta de sangue. tinha em falta toda a metade do lado esquerdo da cabeça, e o desconhecimento absoluto do motivo que o levou a disparar. contra um ser humano, um desconhecido.
ela, por outro lado, não se lhe afigurava como uma desconhecida. mas também não era conhecida. um desconhecimento conhecido - pensou, enquanto tomava consciência dos dois projécteis ainda alojados no carregador da pistola-brinquedo para levar a sério.
a imperceptível rotação do carrossel e as cada vez mais notórias dificuldades de movimentação faziam com que a tentativa de apontar a pistola directamente ao peito dela fosse muito dificultada. no entanto, ele viu o seu braço, lentamente, a deslocar-se para esse efeito. ela parecia avaliar com rigor a situação pois, lentamente, muito lentamente, libertou o manto do ombro e estava agora, no momento em que ele fazia mira, completamente nua. tinha um diamante acima do lábio superior, e foi este o penúltimo pensamento dele, ao ser atirado para fora do carrossel num movimento repentino, como se tivesse levado um coice.
enquanto sentia um borbulhar associado à sua débil respiração pensou - "talvez não seja bem arles."

2012/07/19

algesia

agora é que é verdade: arrepanha-me aqui esta zona toda. e logo é num sítio em que não há grande coisa a fazer...

exercício de estio

ando cá a pensar que esta cena do movimento "eu agradeço a um professor" até nem é mal pensada...
em passando as férias e isso, é ver se haverá alguém que me esteja minimamente agradecido.
o agradecimento poderá ser em géneros (nota mental: citar luís pacheco, a propósito, a seu tempo)...

2012/07/05

2012/06/20

simple


irie!!!!
raatid! i go take string off fi me guitar and still cyan no play i-rey music, mon!!!

trips


no início do clip é "rider to the sea" que está a ser interpretada. e é muito cool, isso.

2012/06/19

not dogs

é certo e sabido que a pessoa (?) que mantém este estaminé a funcionar não gosta de cães. sempre foi mais gatos, apesar de não gostar de animais por aí além. não é bem não gostar, apenas não percebe a quantidade e a qualidade de afectos que certos seres humanos, pessoas saudáveis, com quem se pode falar na maioria dos casos, depositam em seres irracionais. a importância disto é relativa: é apenas mais uma coisa que a pessoa (?) não percebe.
mas há um critério que se mantém: seres que sabem gerir os seus próprios excrementos merecem respeito. algures por aqui deverá andar uma referência à "caixa de pandora", sendo que pandora foi uma gata siamesa que gostava dos smiths e que foi atropelada. é neste sentido que se é mais para os gatos.
é na linha do suprarreferido que deve ser tida em conta a indicação que se segue:
http://indifferent-cats-in-amateur-porn.tumblr.com/

se isto tiver o apoio dos ilustríssimos convidados aqui presentes, até poderá passar a link definitivo, ali ao lado.

e ainda dizem que os blogues estão fora de moda!!!

2012/06/12

o arco (e a lira)


o equilíbrio não elimina as forças opostas. apenas, por definição, as anula.

runião

- tu, às vezes, és duro...
- eu? como?
- sei lá... em algumas tomadas de posição.
- acho que em algumas tomadas de posição convém ser duro, não?
- não é fácil falar contigo...
- para quando não é fácil há pomadas de tecisão...
- não dá para falar a sério contigo.
- eu não quero falar a sério "contigo" sobre o meu trabalho. aliás, nem to admito...

2012/06/11

lazarus

é quando o outro gajo adormece no sofá e, lá prás 4 da manhã, se dá o milagre: ele levanta-se e caminha.

2012/06/01

rede neuronal com buracos

tenho uma clara sensação de que havia uma frase ou duas da "mrs dalloway", de virginia woolf, para colocar aqui e não me lembro bem... entretanto lembrei-me, mas prefiro a versão original ao invés da tradução (que tenho, na minha edição, ostensivamente sublinhada): "she had a perpetual sense, as she watched the taxi cabs, of being out, out, far out to sea and alone; she always had the feeling that it was very, very dangerous to live even one day."

2012/05/29

dreamcatcher rock girls

tapiária

- gosto de carros grandes...
- eu gosto de carros pequenos. são fáceis de estacionar... além disso os carros pequenos fazem parecer outras coisas maiores. é como aparar as sebes.
- tu não és normal...
- claro que sou! (pelo menos nos carros pequenos)

2012/05/16

2012/05/10

nivelation!!!


Preciso de conselhos
11:07am
não precisas nada...
mas, se eu puder ajudar...
dou-te um: os homens gostam que lhes façam sexo oral (estão-se a borrifar para se faz cancro ou não)

2012/05/09

elevation!!!

- acho que vai chover...
- é bem possível. um tipo que eu conheço diz que chove quando está assim. aliás, ele tem uma expressão que eu, que já vi duas ou três coisas (excelente escolha de palavras), nunca compreendi muito bem...
- qual é?
- não digo, que eu sou educado. mas se insistires muito digo.
- diz!
- a expressão, quando está assim a ameaçar chuva, é: "está da cor da cona".
- hã?
- eu disse-te que também não percebia bem a frase. e ele, quando a usa, olha para mim como se eu a devesse entender claramente.
- não percebo. eu cá não tenho a cona da cor das trovoadas...
- fica-te bem, minha querida, fica-te bem.



2012/05/08

arranhão

não sei o que fiz à minha vida. não sei se a deixei no bolso das outras calças ou sobre a mesa de algum café.
(entretanto)
a referência (a arcaica referência da minha vida) the great wave off kanagawa agudiza-se.
sempre vi no objecto que há mais tempo me acompanha reminiscências das cores e linhas de hokusai.
reencontrei hoje essa mesma imagem quando penetrava num certo tipo de nevoeiro (talvez a minha vida tenha ido, por acidente, junta com o lixo de há 4 dias) e reavivou-se em mim sensação clara, nítida, do carácter premonitório da súbita sensação de nudez no meu pescoço.
há soluções.
há silêncios.

2012/05/07

2012/04/26

void

há razões para que a produção nesta casa ande a decrescer em quantidade (em qualidade seria, obviamente, impossível), principalmente dentro de duas dimensões distintas, a saber, técnica e existencial. a técnica tem a ver com a hegemonia das multinacionais (google, blogger...). a outra está dependente da esfera vital em que o anfitrião se move.

2012/04/20

pikiwédia

aos novos-ricos, portadores de muitíssimos tiques e comportamentos que traíam inexoravelmente a sua ascendência rude, eram disponibilizados vários instrumentos e técnicas que lhes permitiam aquilo a que os técnicos à época designavam de "calibragem social". a título de exemplo apresenta-se abaixo o "aparelho de sobranceria".

reincidência

phaedra


as cenas que a malta leu assim tipo há menos tempo...
entremeada e intermitentemente anda-se a ler o "bestiário", do cortázar...
tenho para mim que esta sequência de leituras foi das coisas mais coerentes que fiz na vida, a par da escolha, para ementa de jantar solitário, de carapaus fritos com arroz de tomate, uma vez, há muitos anos (1987?), em vila real de santo antónio...

2012/04/19

smoothie

- então? também andas na acção de formação sobre educação sexual?
- sim, ando.
- porquê?
- parece que sou mal educado nisso do sexo...
- bem... acho que me vou embora...
- não vaias...

2012/04/14

2012/04/07

the magnolia blooms so sweet and fades just the same...



lisboa à beira-tejo.
bikes cool à beira-tejo.
sábado a ameaçar chuva. se choveu não reparei.
os bares terão que ficar para outra vez. não foi só o cansaço (ou o facto de eu estar a ficar velho), o adiamento para um dia em que eu não seja o designated driver justifica-se a si mesmo.

abissus abissum invocat

- então mas tu agora passas a vida com um selim metido no cú e a falar com matarruanos vestidos de lycra?

belvedere

- ... então?
- estou só a olhar, embevecida.
- também me acontece estar só assim a olhar. tão embevecido que não me posso levantar.

2012/03/20

sailors, nurses, liqueur and stuff...

consulta externa

- fui eu que o atendi quando esteve cá.
- foi? não me lembro. foi em que ano?
- 2003.
- é um tempo considerável. acho que nem sabemos o quanto este tempo nos tornou homens diferentes.
- ...
- o tempo passa a correr. vira-se a cabeça e passou uma semana... não ligue. vi isto num filme.
- pois, fui eu. é a minha letra.

2012/03/16

hope

- ... estão a dar beijos.
- beijos? não é bem dar beijos...
- beijos, beijocas... eu sei muito bem o que é: são cenas de namorar, do amor dos dois.

brannslokkingsapparat

fernão de magalhões

um dia destes vou escrever a saga de um tipo afectado por um impressionante inchaço na zona escrotal.
navarone sempre me pareceu um bom nome para um herói trágico dos tempos modernos.

lembrei-me por causa disto:

longslowdistance

2012/03/15

a vodka preta no filme negro

ele estava visivelmente incomodado mas, ela sabia-o bem, guardava a razão do seu desconforto só para si. tinha essa tendência. mais do que isso, tinha esse hábito: as coisas realmente importantes da sua vida, as grandes alegrias, os triunfos, particularmente nos casos de maior improbabilidade e de maiores dificuldades, mas também os desaires, os desgostos, os mais profundos medos e ansiedades.
ela sabia perfeitamente que insistir na pergunta era um erro. era-o sempre. mas, naquele momento, fê-lo. ainda hoje não sabe o que a levou a alterar o costumeiro procedimento.
- vais dizer-me o que se passa ou não? detesto ver-te assim...
- tudo se resolve... - disse ele.
de súbito, na continuação do ligeiro movimento do pescoço que fizera para a observar, levantou-se. colocou-lhe a mão esquerda sobre a boca e, auxiliado pelo peso de todo o corpo, pressionou-a contra a parede. sorriu fugazmente e perfurou-lhe os olhos (ela sempre tivera uns muito expressivos olhos cinzento-azulados) com uma navalha de ponta-e-mola.
- és um animal de hábitos, tu. - disse ela, quando ele a deixou libertar-se.
ele não respondeu, limitou-se a um leve aceno de cabeça. depois foi até ao frigorífico.

2012/03/02

1 hora no trabalho é 1 hora a trabalhar

aconselha-se muito vivamente a intervenção de ricardo araújo pereira no ciclo «deus, questão para crentes e não-crentes», organizado pela capela do rato (Lisboa).

subscrevo a posição perante a possibilidade ou não de fé e a vivência das duas possibilidades, a posição sobre o eclesiastes (também na tradução king james) e a posição sobre a realidade e possibilidade do riso.

2012/03/01

still waters still run deep

so little time...

- a R mandou-te um beijo. perguntou-me como andavas. disse que andavas mais calado...
- quem?
- a R.
- não estou a ver quem é... a minha memória para nomes é uma lástima.
- claro que sabes...
- pois, devo saber. mas não me lembro.
- é aquela toda boazona a quem uma vez disseste...
- já sei quem é! como está ela?

the tip of the iceberg - a gorjeta do iceberg

- és sempre o mesmo... gostava que um dia me dissesses algo que nunca dirias a alguém com quem quisesses ir para a cama...
- gosto de teu bigode.
- muito obrigada.

2012/02/27

haiku

a chuva de inverno
um mar inundado
de ausência

isto não é bem um haiku
 

2012/02/14

stuff about truth or the way to it

como o texto é lido:
"dizem que sou um investigador. eu não procuro, descubro. todos nós sabemos que que a arte não é a verdade. a arte é uma mentira que nos ajuda a compreender a verdade, pelo menos aquela verdade que nós, como homens, somos capazes de compreender."
pablo picasso, in "documentos para a compreensão da pintura moderna" de walter hess

como o texto é apropriado pelo leitor, um iconoclasta hesitante:
dizem que sou um instigador. descobri que eu não instigo, procuro. é verdade que nem todos sabemos o que é a arte. a mentira é uma arte que nos ajuda a esconder aquela verdade que faz de nós, alguns homens, incompreensivelmente incapazes.

como o texto é interpretado pelas pessoas capazes:
tu és um idiota. quanto mais falas mais incompreensível és. és um mentiroso com tempo a mais, é o que é. belo artista me saíste.

2012/02/09

beauty you stumble upon...

smile

nota mental, parte CMLVII

dormir mais horas.


(
- onde estou?
- ...
- eu deitei-me aqui?
- não. vieste para aqui a meio da noite.
- então?
- o menino tinha tosse... não te lembras?
- hã, hã...
)

nota mental, parte CMLVI

coisar aqui uma frase com muita pinta e que se fosse aqui há uns tempos seria muito muito a minha onda mas mudam-se os tempos e mudam-se as vontades e ainda assim nunca digo deste gin nunca beberei.

fui incluído numa cena de coisas estranhas no face...
não respeito o face. não levo aquilo a sério, digamos (mais ou menos como não levo a sério a maior parte das coisas que digo no mundo real).
seja como for, esta é uma das frases mais estranhas que disse nos últimos tempos:
"repara... a diagonal define dois triângulos congruentes. sabes que a figura é definida por lados e ângulos congruentes dois a dois." (- pode ser assim que se perde o amor filial. a investigar futuramente...)

____________________________

- está sempre ali aquela senhora sozinha...
- há dois anos meti conversa com ela, mas correu mal.tem um tom de voz surpreendente. e eu, que não gosto de surpresas, lidei mal com isso.
- é esganiçado?
- não digo que não possa ser estimulante em determinados contextos... mas tive grande dificuldade em conter um ataque de riso.

personal deejay-set

ide-vos foder, ohh yeahh!
ide-vos foder, ohh yeahh!
ide-vos foder, ohh yeahh!
ide-vos foder, ohh yeahh!
ide-vos foder, ohh yeahh!
slide-guitar distorcidíssima entre sol e lá ( palavras sussurradas,em modo quase subliminar: "bloco central", em repeat.
ide-vos foder, ohh yeahh!
ide-vos foder, ohh yeahh!
ide-vos foder, ohh yeahh!
ide-vos foder, ohh yeahh!
ide-vos foder, ohh yeahh!
voz da inês meneses: "isto é tudo muito bonito, o pior é o resto".

2012/02/02

dorn to bie



sei...
toda a gente fala disto...

roor-al

- não sei o que se passa com estas miúdas...
- é da idade, é mesmo assim. como diz o aquilino n'"as terras do demo": são as comichões da donzelia.
- tu és estranho.
- ler, por aqui, é estranho...

2012/01/20

charm pearls

- muito obrigada!, disse, sorrindo, a desconhecida, agradecendo o facto de lhe segurarem a porta.
- são sorrisos como o seu que tornam credíveis, nos filmes, as situações de amor à primeira vista., disse o cromo do costume.

2012/01/17

charcada na pedra

hoje, ao almoço (há coisas do demónio), estava a ler um livro de mário de carvalho (o título é extenso demais para o referir agora e isto é a despachar*)... quiseram os deuses que eu desse 2 ou 3 súbitas e sonoras gargalhadas no exacto momento em que uma senhora, na mesa ao meu lado, acabasse outras tantas frases.
julgo que ficou claro que o que motivava o meu lacrimejante riso era a leitura e não a conversa que, dada a exiguidade do espaço, teria forçosamente que ouvir mas julgo igualmente que a senhora esteve mesmo tentada a inquirir no sentido de esclarecer essa situação cabalmente.
embebido da animação de espírito inerente à sensação de, sem maldade nem sequer intenção, ter provocado o constrangimento nos outros, proferi mais tarde e em contexto laboral o seguinte comentário:
"não via uma animosidade deste calibre desde o cisma que dividiu marleinianos e canabitinos..."
esta frase, assim sem aviso ou reflexão, e o silêncio que a ela se seguiu tocam-me o sentido de humor em fibras mui específicas.

* em tendo vagar indicarei que o título é "era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto"

eu sou um freak com uma vidinha...
havia de botar aqui um daguerreótipo, tipo isto: 

eu não sou poliglota (a minha mãe diz que eu fui operado quando era pequenino, para tudo correr normalmente. nunca correu...) mas acho que a palavra "spomenik" é muito apropriada para estas cenas que diz que há naquela zona do mundo que em antes se chamada jugoslávia.

2012/01/11