2026/02/18

i feel the need. it´s hard

 


a aceitação da poesia

oitodeitado

 diz quem sabe para quem também sabe:

há sempre um limite entre o prazer e a dor que não pode ser ultrapassado, porque chega ao ponto em que pode pôr-se a vida mental em risco.





in U end

 


2026/02/11

memory lane

 


não sou de revivalismos por aí além e não acalento nostalgias musicais. 
alguns artistas que contribuíram para a minha deformação já morreram, outros estão velhos, tal como eu.
mas a descoberta deste sítio animou-me, de certa forma.
quando o antónio sérgio desapareceu eu ouvia-o todos os dias. nem sempre assim foi, mas é como se tivesse sido, pois é como se a voz dele me tivesse acompanhado sempre. para mim, a xfm eram ele e a sofia morais, mais nada. gostava de (quase) tudo, mas era assim. sempre tive um fraquinho pela sofia. mais: acho que sempre desejei ter a voz, o bom gosto, a gravitas do antónio sérgio, e, com esse arsenal, encantar moças como a sofia. coisinhas minhas...
ouvir, hoje, os programas do antónio sérgio não tem comparação possível com o ir ver os duran duran, os depeche mode, ou outra qualquer banda "do meu tempo" em que, como li já há bastantes anos e que cada vez se torna mais verdadeiro, "grandes artistas se esforçam por caber em roupas pequenas demais para eles".
a música está lá (as vozes nem sempre), o talento, a, em alguns casos, irreverência. mas é sempre, de certo modo, olhar para uma coisa e ver outra.
já a audição de um programa de rádio, com a viva voz de alguém que já morreu, "acompanha-me" (num certo sentido existencial, à falte de uma melhor definição, neste momento) tanto hoje como no dia original. 
acho que das melhores coisas da cidade onde vivo é o cine-clube. 
lembrei-me agora.
passa filmes bons, só para alguns: aqueles que os querem ver.
e porque o direito à diferença se torna muito mais consciente na voz do antónio sérgio.
ainda me faltam muitos pinguepongues para ouvir (começo sempre a ouvir as coisas perto do seu fim, raios), mas é bom saber que esta acervo existe.
não tenho saudades do eu que ouvia o antónio sérgio, mas tenho saudades dele.

2026/02/06

bi

 


"o bocas"

Em 2012, já com mais de 80 anos, Cecília tomou a decisão de restaurar o quadro “Ecce Homo”, de Elías García Martínez. O facto de não saber pintar não a deteve. O quadro original representava Jesus Cristo com uma coroa de espinhos, a cabeça inclinada em sofrimento resignado. Quando Cecilia Giménez terminou de o restaurar, o quadro exibia um anónimo que parecia ter sobrevivido a um incêndio, mas agora estava, apesar de desfigurado, com um barrete que aparentava ser quentinho. Tinha um arremedo de nariz, uma vaga boca esbatida, e uns olhos que se diria terem sido pintados pelo próprio Modigliani, se o pintor italiano tivesse tido dois enfartes.

ricardo araújo pereira, no expresso de hoje

o título deste post é o mesmo de um jornal humorístico editado durante meia dúzia de semanas (ou menos), em meados dos anos oitenta. o clube de imprensa alega que apenas saiu o nº 1, eu 1983, mas eu tenho a certeza (?) que comprei dois ou três números, pelo menos.

este dia teve chatices várias em diferentes horas do dia. 
acontece. 
faz parte.
tenho as minhas formas de calibrar as cenas na minha cabeça.
não que seja só benéfico ou que seja pacífico. é o que é, sou como sou.
uma delas é fazer pausas, que, às vezes, se arrastam por muito mais tempo do que o devido (por exemplo, fui mesmo confirmar o que o clube de imprensa dizia sobre o jornal. ali em baixo deverei incluir um excerto do artigo) e que, arrastando-se ou não, são sempre acompanhadas por auto-recriminação.

seja como for, o excerto acima provocou uma reacção análoga à de alguns textos d'o bocas, ou a de duas ou três páginas (mais essas, muito mais do que todas as outras desse livro, apesar da sua prodigalidade, neste sentido) de um livro de tom sharpe. ou a uma frase, especificíssima, de outro livro do mesmo autor, que incluía um ralador... 
digamos que provocou a reacção que levou o sr. luís a pensar que eu deveria ser deficiente a avaliar pelo comportamento exibido.


o humor tuga, tal como no aludido artigo:

Existe um tipo de Humor característico da gente lusitana? Sim, existe. A tradição vem muito de trás, de Gil Vicente, com o seu linguajar vernáculo. E das cantigas de escárnio-e-mal-dizer. E dos antigos “robertos-de-feira”, cujas piadas eram sempre sublinhadas à traulitada. A nossa sátira baseia-se, historicamente, quase sempre, na piada pesadona, bruta, malcriada, perante a qual o Humor refinado é como uma picadinha de alfinete, em comparação com uma valente cacetada.

Não é, portanto, um Humor requintado e elegante, muito longe disso. E também aqui, como noutros capítulos da produção artística destinada ao grande público, este tem, como costuma dizer-se, aquilo que merece e de que gosta. Os Autores trabalham “em estilo grosso” para um público que não é fino.



2026/02/05

vida normal

já é amanhã e eu ainda estou no dia de trabalho.
e passam os cock robin na radar. 

pequeninas coisas.

tantucock comu robin.

2026/02/04

a pena e a espada

a minha amiga P, que é uma querida, foi salva pelo punho de uma espada de cavalaria...
mais dramático do que isto não estou a ver.
pelo menos a uma sexta-feira.


2026/01/30

2026/01/17

alfa ra bista, baby!

 


2026/01/07

alistamento

este ano não há cá paneleirices de top de avaliação de merdas, tipo  melhor experiência musical, melhor pôr-do-sol, melhor refeição, e o caralho...
só me ocorrem os piores disto tudo, mas fica apenas o registo da pior experiência musical: o último disco do(s) tame impala: fica muito aquém dos anteriores, mas ainda assim passa por aqui até à exaustão. é quando se cozinha, é quando se caga, é, particularmente, quando se toma banho... enfim, malta nova.

há vários anos vi isto e achei muito bom.
porque o rapinanço é uma forma de homenagem, fica pendurado aqui. se calhar até já está, não garanto nada...


notas mentais para cenas:
- assalto à azeitona
- fila indiana
- rebuçados de mentol
- (fds... quando comecei a lista ainda me lembrava de mais uma ou duas. uma dava para adultos e crianças, disso lembro-me)
- ver se a cena prá memória que se comprou há dois anos e que nunca foi encetado ainda tem validade... pelo amanho do canudo, espero que seja efervescente.

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hoje esteve um dia limpo e frio... é nestes dias que são filmados muitos anúncios televisivos que se vêem no verão. 
ontem fui de bicicleta, apenas de t-shirt e camisa de ganga. estava frio, mas não senti frio.
hoje fui de mota, mas com roupagem mais substancial. idem.
gostei do frio na cara, ontem e hoje.
H. dizia-me que "estava demasiado frio para andar de mota". 
 esclareci: gosto de me sentir vivo, de vez em quando!