2007/09/20

experiência

o dia começara a ameaçar chuva mas decidi ir.
a ameaça cumpriu-se e fiquei a abrir a segunda cerveja enquanto assistia à debandada.
o pequeno havia adormecido ali na areia da praia. cobri-o com tudo o que tinha disponível e esperei.

(a belga a quem eu tinha pedido le stylo para escrever estas linhas:
- est'ce que tu reste ici, a la plage, avec ton enfant?
- il dort...
elas sorriram, entreolharam-se e ficaram também)

esperei, calmamente, o regresso do sol com uma fé absurda, gradualmente menos absurda quando, contrariamente ao que seria de prever, se verificava uma cada vez mais provável possibilidade de clarear.
bebi a cerveja sentindo nos pés o fim da força de ondas grandes e desordenadas, portadoras de uma espuma pastosa e vingativa. sentia no corpo todo, no peito nú, a obliquidade de uma muito chuva.

o ciclo fechou-se.
o sol reapareceu para, poucos minutos depois, desaparecer no horizonte.
ele acordou. eu, recém-regressado ao mundo real, acabei a cerveja.
- dormi um sonho fixe, pai.
- eu também, puto.

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