2011/03/16

a causa das coisas

sabe a gelo e invernia
sabe ao pino do verão
sabe a sabor de outro dia
sabe a sabor de ainda não
sabe a noite sabe a sombra
sabe a profundidade
sabe a focinho a tromba
sabe a animalidade
saber de saborear
sabedoria trabalho
sabe a pernas pró ar
sabe a gota de orvalho
sabe a excitação
sabe a nova saciedade
sabe a circulação
sabe a vida a cidade
sabe a frutos do mar
sabe a dunas a areia
sabe a água a marulhar
sabe a força a maré-cheia
sabe a lençol e a fronha
sabe bem sabe depressa
sabe a medo e a vergonha
sabe a mentira a promessa

falta o jargão do gourmet
falta-me o savoir-faire
sabe-me a não sei quê
sabe a uma coisa qualquer...

(achei que era já tempo de isto ter um post próprio. foi lido em público uma vez e foi oferecido para ser lido em público)

2011/03/15

análise pombalina

fui ver. não estava.

2011/03/14

idiossincrasias existenciais

antes de mais vou já avisando que por idiossincrasia entendo o seguinte: "ao mesmo tempo sinto-me idiota".
assim sendo, passo a expor o tema principal deste post:

- ó pá... cunnilingus é no cú?

se eu tivesse respondido, fosse o que fosse, este post seria só isto. talvez seja daquelas coisas em que é mesmo necessário estar presente para se achar piada, mas ficaria só por aqui (é por estas e por outras que eu acho que tenho uma vida rica).
mas piorou muito quando eu, não após mas durante o ataque de riso que se seguiu à pergunta, dei por mim numa associação de ideias de que não me orgulho (também por a não conseguir explicar) a pensar nisto:

(é por estas e por outras que acho que tenho uma vida medíocre)

sweeet



além do coiso acima existe a satisfação relativa de, apesar da gripe e merdas dessas, ter corrido muito melhor do que por alturas do post "dois canos*", i.e., cantei e toquei isto e saiu alguma coisa de jeito.
pode ser que, em havendo hortelã, eu grave isso.
se gravar e postar é porque é grave.

_______________

hoje considerei a hipótese de vir pelo outro lado (uma vez vi um filme em que, aparentemente, alguém fez isto) só por causa da neblina no topo da montanha. melhor, só por via da neblina no topo da montanha. assim aproveita-se o duplo sentido, que neste sítio é-se muito fã desse tipo de coisas. duplos sentidos. e aproveitamentos, que a vida não está para graças.
não vim. vim pelo sítio do costume.
vinha eu a constatar que aquilo é improvavelmente ciclável, tomando para o efeito o comportamento do carrinho em que me tenho feito deslocar (é quase um papa-reformas) quando presenciei uma cena de caça: uma águia a desferir um ataque preciso a um pombo. apesar de a águia se ter assustado com o meu veículo e ter abandonado o pombo na berma da estrada o destino deste estava traçado: morte certa. tinha uma asa partida. sei-o porque, tendo estacionado mais à frente, fui verificar. fiquei sem saber o que fazer ao pobre do bicho, que estava vivo, imóvel e assustado. ocorreu-me eutanásia, havia corvos nas imediações. afastei-me e, de dentro do carro, esperei que a águia voltasse, enquanto fumei um cigarro...
não voltou. pelo menos enquanto eu a esperei.
mas tenho a certeza de que a carcaça do pombo não estará lá amanhã.
(uma hora e tal mais tarde, a propósito de 2 ou 3 coelhos selvagens que brincam habitualmente junto a minha casa:)
- pai, como é que os animais têm filhos?
- como nós temos.
- mas eles não têm médicos para fazer um buraco na barriga das mães.
- a maior parte dos bebés não saem por um buraco nas barrigas das mães.
- não? saem por onde? pelo umbigo?
- não. saem pela vagina das mães, que também serve para isso.
- pela vag... pela vagina???
- sim.
- epá... deve ser um bocado nojento... (risos)
- não achas que compensa?
- tu foi assim?
- foi.
- eu também?
- sim.
- compensa. mas ainda bem que eu não tenho vagina.
(risos)

e, por agora, tenho dito sobre a vida e a morte.

2011/03/12

coooooooooool...

not perry



sempre gostei muito desta canção. não gosto menos desde que li esta nota da própria autora:

Whenever I've sung this song I've hoped that my breath would hold out for the first few phrases, as there is no gap to breathe in.

When I wrote this track the words came at the same time, and this is one of the few songs where the lyrics were complete at such an early stage. The idea of the song is that of being given a glimpse of "God"--something that we dearly want--but being told that unless we work for it, we will never see it again, and even then, we might not be worthy of it. Of course, everybody wants the reward without the toil, so people try to find a way out of the hard work, still hoping to claim the prize, but such is not the case. The choruses are meant to express the feeling of entering timelessness as you become ready for the experience, but only when you are ready.

2011/03/11

2011/03/10

fragmentação

pensar insistentemente numa coisa ou em várias coisas diferentes mas sempre insistentemente matutar aliás pensar insistentemente no sentido de insistir em pensar é sinónimo de ruminar porque há pequenas partículas de identidade que nos vêm à boca e ficam por ali mastigantemente e enroladamente e insiste-se sempre e quando mais se insiste mais despedaçantemente se mastiga e nada mais acontece mas insiste-se sempre por falta de opção ou energia para pensar nalguma outra opção até um ponto em que não se insista em insistir e talvez aí já nem se exista e ruminar-se-á de modo mais puro e existencial.

2011/03/09

rough talk

a melhor frase ouvida nos últimos dias (às vezes esqueço-me que só se vive uma vez e perco tanto tempo...):
- há tipos que põem os filhos na faculdade. o meu pai pôs-me na dificuldade e tenho aprendido muito...

sun worshiper

2011/03/05

f-hino ou imperial?

teste do balão

ela - fui para lá para participar numa dinâmica de grupo e era uma coisa gira com balões e tudo... era suposto cada um encher um balão com os seus sonhos e projectos, depois cuidar deles, depois partilhá-los e a última tarefa era tentar rebentar os balões dos outros e proteger o nosso.
 rebentei com os sonhos de metade da sala...
eu - eu, pelo menos, só rebentei com os sonhos dos meus pais...

2011/03/04

as before, not black and white














Well I'm thankful you took me from the city and out to the sea 
My hands in my pockets, your hands on the wheel
You speed like a rocket, foot flat on the steel
Sure I'd try and steal your heart away
If I wasn't bound to let it go
In a few moments or so...

2011/03/03

autoscopia

eu, para um tipo limitado e hesitante, ando reiteradamente a fazer-me um homenzinho.

2011/03/02

as in the beginning

é como dos livros, mas só com o teclado

“Senhor doutor, estou doente. Ajude-me a sentir isso do amor. Isso de correr nos campos de girassóis e ser bom. Isso de não se querer foder todas as miúdas com que me cruzo na rua”. Hei-de sentir o que é isso do amor. Parece que quando se sente o amor e se vai ao cu, não dói."

do sítio do costume

(pelo menos) duro de ouvido

- não tenho ido aos carapaus; há coisas novas?
não tenho andado na net, ponto final.
- tenho! não garanto boas, mas longas
ouço dizer que não há correspondência automática.
em geral

olha que nem de propósito...

diz o autor do irmao lúcia, numa entrevista muito cool que apareceu hoje:

Pois, acho que não. Não se pode rir da literatura. Por falar em literatura, gosto muito de Tom Sharpe. Que é assim um cavalheiro inglês que diz tudo o que lhe apetece. Adoro. Deve ser um senhor circunspecto.

e era isto que eu queria dizer.

circunspeto, segundo o novo acordo.
exemplo de utilização: eu circunspeto.
que tanto pode significar:
eu espeto em sítios circulares.
ou
eu dou muitas voltas antes de espetar.

2011/03/01

after nun

- estive a trabalhar num colégio de freiras.
- (não me importava nada de trabalhar num colégio de freiras)

tenho, neste momento, a cabeça a fervilhar. assisti, dentro de um contexto de lazer activo, a dois programas de televisão completamente diferentes mas igualmente esclarecedores. aprendi muito.
os programas foram: coisas sobre cavalos, acho que se chama "três andamentos", na 2, e um programa de entrevistas na Q (pois. aqui em casa somos meo) com a fernanda câncio. neste, a dita senhora entrevistava andré pereira bastos a propósito da situação dos ciganos em portugal.
à laia de prelúdio, dei por mim a imaginar o quão freak seria oferecer a pessoas que venham cá a casa coisas como:
- queres um capilé?
- capilé? a sério?
- i'll spike mine with vodka.
- sure. i'll have the same.
(o facto de a língua mudar a meio do diálogo faz todo o sentido, i.e., não me causa estranheza nenhuma, que é a mesma coisa.)
comecemos, ao contrário do que wittgenstein recomendaria, pelo fim.
a ser verdade aquilo que se diz por aí de que a câncio era a coisinha do nosso PM tenho a dizer o seguinte: ela é toda toda fodível na versão à bruta. aquele tom de voz, aquela forma de insistir sobre um ponto de vista, fazendo tábua rasa do ponto de vista do interlocutor, com aquela lata... mas deve ser mais o tom de voz, acho eu.
a avaliar pelo que sei, o nosso PM é muito capaz de isso assim à bruta. e parece que se prepara para o continuar a fazer a uma carrada de gente, eu incluído. sim, que eu leio jornais (praticamente só os suplementos do público à sexta feira). quando tenho um jornal por perto gosto de ver as gordas (algumas gordas são muito susceptíveis. prefiro disfarçar escondendo-me atrás do jornal).
para quem não sabe quem é andré pereira bastos, fica a indicação de que é antropólogo e que é especialista sobre minorias étnicas em portugal, mormente ciganos. no contexto que aqui me traz, a saber, a conversa com a dita senhora, este senhor revelou uma paciência digna de registo. aliás, nem sei se é bem paciência aquilo, dado que, a certo momento, o tratamento pelo nome próprio "ó fernanda..." me levou a crer que partilhávamos uma ou duas opiniões... e eu não sou (pelo menos sempre e assim) tão paciente.
revelou outras coisas. nomeadamente uma candura que ia muito bem com o look.
e a frase, uma verdadeira pérola:
"eu sou um cientista social, não lido com indivíduos."
voltando atrás, e passando a redundância, não estava, eu, naquele momento, a ver a câncio como um indivíduo.
o nariz da câncio provoca-me alusões sortidas (alusões sortidas também ocorrem aos rapazes, durante a noite, por alturas da mudança da voz).

(pausa para telefonema)
(a desenvolver)
---------------------------
(desenvolvimento após o jantar)

faltará falar do "3 andamentos", presumo... se calhar tem mesmo que ser.
por muito linda que seja a abordagem rectal, para efeitos de palpação, dos ovários dos equídeos, achei particularmente interessante a colheita de sémen dos garanhões.
sempre tinha pensado neste processo a partir do ponto de vista da lei natural e da presumível injustiça para com a fêmea de ocasião... mas hoje percebi que, pelo menos naquele local, melhor, naquele caso, dado que a referência ao local, especificamente, pode levar a enganos (e leva), naquele caso, dizia, recorre-se a uma fêmea específica que "em virtude de uma deficiência hormonal, se encontra permanentemente com o cio". a minha noção de lei natural, e, subsequentemente, de justiça natural, alterou-se muitíssimo com esta informação. quase que dei por mim a antropomorfizar aquela irremediável insatisfação crónica.
(conheço pessoas que antropomorfizariam outras coisas caso tivessem visionado a cena referida acima) 

----------------------

entremeadamente:
algures perto de um sítio muito conhecido, tipo museu "grão vasco" ou bar "varão gasto", "barão casto"ou coisa parecida, alguém descobriu que afinidade era quando 2 estavam a fim de...

----------------------

pedagogia pro bono:
- como se chamava a namorada do john lennon?
- yoko ono.
- como é que isso se escreve?
- assim: YO COJONO
- ok.


---------------------

acto contínuo