2020/10/21

fazer falta como um balão num enterro

 

hoje conversava com alguém sobre a moda de lançar balões nos funerais. 
um tipo que (obviamente) não me conhece, perguntou-me se eu queria isso. 
respondi que me estava nas tintas para o que fizessem... 
após um momento de reflexão, em que contemplei cenas pró ambientalistas e assim, disse: 
- não quero isso. a porcaria que faço em vida chega e sobra.

mash-up do dia











(cada um tem a internet que merece) 
vi isto, ambas as imagens, hoje. 
a sua justaposição é coisa que me define. 
apercebo-me que é coisa que admiro nos outros, também, esta justaposição. 

há, até, pessoas em relação às quais só penso em justaposição, agora que penso nisto.
há, até, pessoas em relação às quais quase só penso em justaposição, agora que penso nisto.
há, até, pessoas em relação às quais não penso só em justaposição, agora que penso nisto.
há, até, pessoas em relação às quais quase nunca, ou raramente, penso em justaposição, agora que penso nisto.
há, até, pessoas em relação às quais nunca penso em justaposição, agora que penso nisto.
e uma destas frases mói-me mais do que as restantes

2020/09/29

post grunge love story



all pain
no gain
did kurt kobain die in vain?

2020/09/14

mashup


"...listen to the colors of your dreams..." do tipo: against all odds (phil collins) x songs for the deaf (queens of the stone age)

2020/09/01

souvenirs

 "lembrava-se (...) de dedicar horas a imaginar como seria o seu funeral, num exercício de comiseração próprio das pessoas a quem uma sensibilidade excessiva em idade imatura debilita a têmpera e corrói o carácter."

in: "uma ida ao motel", de bruno vieira amaral

2020/08/22

película

entre nós e as palavras há metal fundente, dizia o cezarini, quando nos dizia que seríamos bem-vindos a elsinore.

entre nós e a vida há uma...
entre mim e a vida, incluindo a minha, há uma barreira intransponível.

li hoje a seguinte frase, ainda "do interior da tua ausência": "nunca tivemos nada um com o outro, mas ficarás para sempre com o cheiro do meu corpo", dissera ela."
compreendo-a muitíssimo bem.
e à frase.


2020/08/11

leituras de viagem

sou um homem a quem faltou muita coisa, sobretudo a coragem. porém, nunca se me desvaneceu a lucidez de o reconhecer; mais: de me aceitar tal como sou. o perdedor tem na derrota uma secreta volúpia.

durante muito tempo  dediquei-me, através da alquimia das frustrações, a mitificar um passado, para mim a maior fonte de felicidade. inscrevia-me nessa lista de pessoas que temem crescer, mas não o admitem. o que atenuou o meu desespero foi o poderoso desafio de viver além da conta e o desejo de ser único. os homens estão divididos entre mutilados e vis. pertenço à primeira categoria, e faço uma tangente com a segunda. nada espero, vivo preparado para tudo.

estou marcado pelo tempo, pelas desilusões, pelo medo e pelas perdas. há algo exterior a nós que somos obrigados a servir. na minha idade já devia ter cuidado. não com o corpo: sempre dele abusei; com aquilo que digo e, até, com aquilo que penso.

(...)

"os homens que estão prontos para morrer é porque nunca estiveram prontos para viver".

in "no interior da tua ausência", de baptista-bastos

2020/07/24

we are what we live...

neste preciso momento, J. está a ver um filme por indicação minha... "o nome da rosa".
dizia, após dez minutos, que o filme não o estava a cativar.
eu, numa manobra rasteira de marketing, disse-lhe que metia miúdas nuas...

continuei absorto no portefólio que me ocupava. entretanto ouvi-o dizer "truth"...
perguntei-lhe que cena o tinha levado a concordar.
ele andou para trás no filme e o monge mestre, em resposta às dúvidas do seu noviço aprendiz, disse:
- quão pacífica seria a vida sem amor... tão segura, tão tranquila, ... tão monótona.

2020/07/18

epitáfio

mamãe, após um olhar rasante de análise e avaliação das imediações da minha casa:
- tu deixas secar tudo...

2020/06/23

facebook pearls

um gajo - O salazar dá cambalhotas no caixão...
  • eu -  por mim, no caixão, até podia gerar electricidade... podia e devia

a perna do manequim

o meu filho herdou de mim uma característica muito específica. não sei bem se herdou, pode apenas fazer parte do seu temperamento (parece que isso é nasce com a pessoa). seja como for, é igual a mim nesse particular.
é, possivelmente, a característica que mais me define.
e apercebi-me disso hoje, agora.

(a desenvolver)


2020/06/17

not flood


um poeta ao mar*

o Céu é um jogador, e nós tão-somente peões.
é a realidade, não um efeito de estilo.

sobre o tabuleiro do mundo Ele nos coloca e desloca.
para depois nos largar de súbito no poço do nada.

omar kayyam

* via Amin Maalouf

2020/05/22

shell

nós e as coisas frágeis
somos o que podemos
nunca seremos para sempre
somos o que vamos sendo
à tona de um mar de vulnerabilidade

mas a fragilidade das coisas frágeis é enganadora:
coisas frágeis protegem, fragilmente
coisas frágeis afundam-se, passam muitos anos sem se debater
até um dia
por acaso
se disporem a uma nova vida
connosco
igualmente frágil
e nós igualmente frágeis

e cabe-nos a nós proteger as coisas frágeis
caber-nos-á uma nova vida, também

2020/05/19

salfords lads club

williamson andava à deriva e fez meia volta
rebecca não sabia para onde ia e inverteu a marcha
nunca ocuparam o mesmo espaço ou o mesmo tempo
nunca se conheceram
acho até que ela já tinha morrido
quando ele nasceu...
é o que dá ser-se inventado por alguém
que é
como se fosse
um papel
o único papel de rebuçado de mentol
num cinzeiro de automóvel velho
cheio de beatas

2020/04/23

2020/04/12

beyond words

quando se gosta é melhor!!!!

simple skin