2020/10/21
fazer falta como um balão num enterro
mash-up do dia
2020/09/29
2020/09/14
mashup
2020/09/01
souvenirs
"lembrava-se (...) de dedicar horas a imaginar como seria o seu funeral, num exercício de comiseração próprio das pessoas a quem uma sensibilidade excessiva em idade imatura debilita a têmpera e corrói o carácter."
in: "uma ida ao motel", de bruno vieira amaral
2020/08/22
película
2020/08/11
leituras de viagem
sou um homem a quem faltou muita coisa, sobretudo a coragem. porém, nunca se me desvaneceu a lucidez de o reconhecer; mais: de me aceitar tal como sou. o perdedor tem na derrota uma secreta volúpia.
durante muito tempo dediquei-me, através da alquimia das frustrações, a mitificar um passado, para mim a maior fonte de felicidade. inscrevia-me nessa lista de pessoas que temem crescer, mas não o admitem. o que atenuou o meu desespero foi o poderoso desafio de viver além da conta e o desejo de ser único. os homens estão divididos entre mutilados e vis. pertenço à primeira categoria, e faço uma tangente com a segunda. nada espero, vivo preparado para tudo.
estou marcado pelo tempo, pelas desilusões, pelo medo e pelas perdas. há algo exterior a nós que somos obrigados a servir. na minha idade já devia ter cuidado. não com o corpo: sempre dele abusei; com aquilo que digo e, até, com aquilo que penso.
(...)
"os homens que estão prontos para morrer é porque nunca estiveram prontos para viver".
in "no interior da tua ausência", de baptista-bastos
2020/07/24
we are what we live...
dizia, após dez minutos, que o filme não o estava a cativar.
eu, numa manobra rasteira de marketing, disse-lhe que metia miúdas nuas...
continuei absorto no portefólio que me ocupava. entretanto ouvi-o dizer "truth"...
perguntei-lhe que cena o tinha levado a concordar.
ele andou para trás no filme e o monge mestre, em resposta às dúvidas do seu noviço aprendiz, disse:
- quão pacífica seria a vida sem amor... tão segura, tão tranquila, ... tão monótona.
2020/07/18
epitáfio
- tu deixas secar tudo...
2020/07/07
2020/06/23
a perna do manequim
é, possivelmente, a característica que mais me define.
e apercebi-me disso hoje, agora.
(a desenvolver)
2020/06/17
um poeta ao mar*
é a realidade, não um efeito de estilo.
sobre o tabuleiro do mundo Ele nos coloca e desloca.
para depois nos largar de súbito no poço do nada.
omar kayyam
* via Amin Maalouf
2020/05/22
shell
somos o que podemos
nunca seremos para sempre
somos o que vamos sendo
à tona de um mar de vulnerabilidade
mas a fragilidade das coisas frágeis é enganadora:
coisas frágeis protegem, fragilmente
coisas frágeis afundam-se, passam muitos anos sem se debater
até um dia
por acaso
se disporem a uma nova vida
connosco
igualmente frágil
e nós igualmente frágeis
e cabe-nos a nós proteger as coisas frágeis
caber-nos-á uma nova vida, também
2020/05/19
salfords lads club
rebecca não sabia para onde ia e inverteu a marcha
nunca ocuparam o mesmo espaço ou o mesmo tempo
nunca se conheceram
acho até que ela já tinha morrido
quando ele nasceu...
é o que dá ser-se inventado por alguém
que é
como se fosse
um papel
o único papel de rebuçado de mentol
num cinzeiro de automóvel velho
cheio de beatas






