2009/04/13

something lost im my papers

às costas das mãos chegam argonautas emplumados.
trazem venenos vários, em potes brilhantes e coloridos.
oferendas para os deuses de ontem.

(nota?)
let's have a spiral thingy...

nipponária

a árvore florida quase que nos toca.
promete-nos isso, emergentemente.
imagina-se um perfume.

todas os poemas padecem de falta de rigor quando se aprofunda a taxonomia botânica.
é, no entanto, uma árvore.

é, também por isso, uma promessa.
pensa-se.
sente-se.
vê-se.

afterburn...

- ó pá... devias ter ficado até mais tarde... estivemos a tocar com o vick... coisas fixes.
- pois... mas ando numa fase em que também gosto de acompanhar. e, se beber demais, tenho mais dificuldade em conseguir acompanhar. além disso, tinha combinado ir andar de bike logo de manhã.
- foste andar?
- não.

bird-day

discutia-se, mais uma vez, a quantidade de coisas que tenho na cabeça e que não me servem para nada. neste caso específico a diferenciação entre anjos e arcanjos. atiram-me um argumento contundente: "ela, quando escolheu o nome dos filhos, não pensou nesse pormenor...". colhe, digo eu. mas não abdiquei da minha posição de que, para o bem ou para o mal, é bom saber coisas.

10 minutos depois estávamos na improvável (porque obedece a alguns critérios decorativos) pastelaria da aldeia. mais improvável se tornou recentemente pela existência de uma estante com livros. livros mesmo, em edições dignas, com encadernações como deve ser... tentando permanecer à margem da afirmação "coloquei isso aí por me lembrar de ti" (o orgulho superficial é o mais pecaminoso de todos), peguei numa edição de contos de luísa costa gomes. citação:
- o teu filho é um cristo!
-... um anjo!
- um arcanjo! - troçou o tio X.
riso e comentário meu, em inglês, que o infante faz hoje anos e está numa de perguntar tudo e mais alguma coisa:
-... see, the conscience of this little sting of evilness was made possible only by the awareness of the difference...
- queres um digestivo?
- sure...

lembrei-me do fim de semana, da confraria a que alguém chamou klu klux kalado, de ter saído mais cedo porque estava cansado... de ter sido identificado como o elemento irritante por uso como exemplo.
interessante a conclusão final. a de que, apesar das marcas do tempo e lastro existencial, "nós três ainda faríamos um estrago do caraças!"

morango com natas versus eu... perdi (ganhando).

2009/04/11

cool stuff

sub-varónica

nota mental:
escrever um texto (de qualquer tipo e para qualquer função) que inclua o termo "desabrido" e a expressão "à tripa-forra". porque sim.

"varónica" é um belo post. não se vê material deste por aí, aos pontapés...

2009/04/10

pensamento do dia, mas à noite - II

apetecia-me escrever qualquer coisa sobre a proibição de decotes, mini-saias, saltos altos e lingerie preta nas lojas do cidadão. a versão televisiva da notícia também incluía perfumes mais intensos. mas, confesso, nem sei o que diga...
só sei que depois disto me apetece sair de portugal para nunca mais voltar, queimar a bandeira do euro (de qualquer modo as nossas cores não são verde-seco e laranja, que são as cores que actualmente esta ostenta), usar mini-saia no trabalho, beber uma cerveja... nem sei.
tenho que falar sobre isto com a minha filha... prepara-la tanto quanto possa para estas coisas. estas coisas são imagens da maldade.
este país, esta sociedade, esta mentalidade, estes valores... tudo uma merda.
que se foda...

houve um momento em que a população portuguesa deixou de pensar. o dinheiro e o consumo (que não têm uma relação causal, ao contrário do que alguns economistas crêem): culpa!

estas determinações da AMA fazem-me sentir duplamente tratado como atrasado mental.

varónica

a luna plena acicata as rubras virgens,
que na la roda saltam, que na la roda giram.
donzelas mui cerca de arrebentar de folguedos,
à conta prometida de mancebos gentios ou cristãos-novos.
à doce liça vocadas! à doce liça tendidas! para arreganhamento do nero jogral e à função do seu senhor.

2009/04/09

título

rilke: nas profundezas tudo é lei.

"os teus disparates devem acabar onde a liberdade do outro começa."

2009/04/07

golden brown - silent watchmen (your option)

na mouche

cito, de memória (logo, com óbvias, e provavelmente importantes, falhas) a minha leitura actual*:

pudéssemos nós ser estranhos e, no segundo seguinte, estarmos abraçados, sem passar por aquelas palavras que tantos homens e mulheres banalizaram antes de nós.

oscilo entre a consideração da beleza da frase e a consciência do seu poder pragmático. mas pode só ser o meu toque de mirdas a funcionar.

* - "em carne viva", david grossman

2009/04/05

not manhouce...


.. mas é bonito.
leituras recentes fizeram-me lembrar disto.
é sempre um ritual colocar o disco (pois, o disco) na mesa, colocar a agulha... e é sempre aquela coisa estranha, aquele estado de alma.
cenas panisgas minhas, em que, distraidamente, sou mais sensível ou isso...

mais tarde ouço rammstein ou olho com atenção para a minhas botas que clamam por reforma há uns 3 anos e fico a sentir-me mais normal.

2009/04/03

why not tomorrow?

tudo muito eficaz, ou não...

tolosa in my mind...

pony-express blues

pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó.
- eia!! ôôôô!! ... eu quero lá saber se me chamam "o obsoleto" pelas ruas... inventem mas é a porcaria dos emails que já não se aguenta isto... enfim, o que é que se há-de fazer...
pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó, pocotó...

micro-estória II

era uma vez um sorriso com asas.

list is not a sin

durante muito tempo pensei que havia por aqui um post com o título: "coisas que me mantêm vivo"...
parece que não há, mas o post (o texto, a lista) existe. pode ser que um dia venha aqui parar. não sei. nem sei se é importante que venha. talvez seja importante que eu não me esqueça da lista, mas isso é outro assunto.
de qualquer modo, há sempre a possibilidade de sofrer alterações. isto nunca se sabe, suponho.
não tendo muito a ver com o anterior:

lista de coisas que, estando-se vivo, têm uma certa pinta

- cortar gelatina com uma colher
- tomar duche quando se está imundo como quando o suor deixa marcas no pó que nos cobre o corpo
- enrolar cabelos à volta de um dedo (mais cool quando o cabelo não é o nosso)
- mix de café, chocolate preto e cigarro
- fou rire
- areia de praia no fundo do carro
- cobre polido
- cheiro de livros
- abraços, em geral.
- cantoria afinadinha
- pensar q.b.
- ondas
- adormecer quase instantaneamente
- acordar e ver a rua num dia de sol
- mulheres bonitas
- ...

2009/04/02

the angel thing



a música...