2011/03/02

(pelo menos) duro de ouvido

- não tenho ido aos carapaus; há coisas novas?
não tenho andado na net, ponto final.
- tenho! não garanto boas, mas longas
ouço dizer que não há correspondência automática.
em geral

olha que nem de propósito...

diz o autor do irmao lúcia, numa entrevista muito cool que apareceu hoje:

Pois, acho que não. Não se pode rir da literatura. Por falar em literatura, gosto muito de Tom Sharpe. Que é assim um cavalheiro inglês que diz tudo o que lhe apetece. Adoro. Deve ser um senhor circunspecto.

e era isto que eu queria dizer.

circunspeto, segundo o novo acordo.
exemplo de utilização: eu circunspeto.
que tanto pode significar:
eu espeto em sítios circulares.
ou
eu dou muitas voltas antes de espetar.

2011/03/01

after nun

- estive a trabalhar num colégio de freiras.
- (não me importava nada de trabalhar num colégio de freiras)

tenho, neste momento, a cabeça a fervilhar. assisti, dentro de um contexto de lazer activo, a dois programas de televisão completamente diferentes mas igualmente esclarecedores. aprendi muito.
os programas foram: coisas sobre cavalos, acho que se chama "três andamentos", na 2, e um programa de entrevistas na Q (pois. aqui em casa somos meo) com a fernanda câncio. neste, a dita senhora entrevistava andré pereira bastos a propósito da situação dos ciganos em portugal.
à laia de prelúdio, dei por mim a imaginar o quão freak seria oferecer a pessoas que venham cá a casa coisas como:
- queres um capilé?
- capilé? a sério?
- i'll spike mine with vodka.
- sure. i'll have the same.
(o facto de a língua mudar a meio do diálogo faz todo o sentido, i.e., não me causa estranheza nenhuma, que é a mesma coisa.)
comecemos, ao contrário do que wittgenstein recomendaria, pelo fim.
a ser verdade aquilo que se diz por aí de que a câncio era a coisinha do nosso PM tenho a dizer o seguinte: ela é toda toda fodível na versão à bruta. aquele tom de voz, aquela forma de insistir sobre um ponto de vista, fazendo tábua rasa do ponto de vista do interlocutor, com aquela lata... mas deve ser mais o tom de voz, acho eu.
a avaliar pelo que sei, o nosso PM é muito capaz de isso assim à bruta. e parece que se prepara para o continuar a fazer a uma carrada de gente, eu incluído. sim, que eu leio jornais (praticamente só os suplementos do público à sexta feira). quando tenho um jornal por perto gosto de ver as gordas (algumas gordas são muito susceptíveis. prefiro disfarçar escondendo-me atrás do jornal).
para quem não sabe quem é andré pereira bastos, fica a indicação de que é antropólogo e que é especialista sobre minorias étnicas em portugal, mormente ciganos. no contexto que aqui me traz, a saber, a conversa com a dita senhora, este senhor revelou uma paciência digna de registo. aliás, nem sei se é bem paciência aquilo, dado que, a certo momento, o tratamento pelo nome próprio "ó fernanda..." me levou a crer que partilhávamos uma ou duas opiniões... e eu não sou (pelo menos sempre e assim) tão paciente.
revelou outras coisas. nomeadamente uma candura que ia muito bem com o look.
e a frase, uma verdadeira pérola:
"eu sou um cientista social, não lido com indivíduos."
voltando atrás, e passando a redundância, não estava, eu, naquele momento, a ver a câncio como um indivíduo.
o nariz da câncio provoca-me alusões sortidas (alusões sortidas também ocorrem aos rapazes, durante a noite, por alturas da mudança da voz).

(pausa para telefonema)
(a desenvolver)
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(desenvolvimento após o jantar)

faltará falar do "3 andamentos", presumo... se calhar tem mesmo que ser.
por muito linda que seja a abordagem rectal, para efeitos de palpação, dos ovários dos equídeos, achei particularmente interessante a colheita de sémen dos garanhões.
sempre tinha pensado neste processo a partir do ponto de vista da lei natural e da presumível injustiça para com a fêmea de ocasião... mas hoje percebi que, pelo menos naquele local, melhor, naquele caso, dado que a referência ao local, especificamente, pode levar a enganos (e leva), naquele caso, dizia, recorre-se a uma fêmea específica que "em virtude de uma deficiência hormonal, se encontra permanentemente com o cio". a minha noção de lei natural, e, subsequentemente, de justiça natural, alterou-se muitíssimo com esta informação. quase que dei por mim a antropomorfizar aquela irremediável insatisfação crónica.
(conheço pessoas que antropomorfizariam outras coisas caso tivessem visionado a cena referida acima) 

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entremeadamente:
algures perto de um sítio muito conhecido, tipo museu "grão vasco" ou bar "varão gasto", "barão casto"ou coisa parecida, alguém descobriu que afinidade era quando 2 estavam a fim de...

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pedagogia pro bono:
- como se chamava a namorada do john lennon?
- yoko ono.
- como é que isso se escreve?
- assim: YO COJONO
- ok.


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acto contínuo

2011/02/28

a esta hora está a dar uma novela muito linda na tvi

está a passar este álbum, na íntegra, na radar. não podia pedir melhor para me acompanhar o trabalho.
deixo a minha canção favorita do álbum e do artista:



dantes era por via das neuroses, agora faz-me sempre pensar em mimosas roxas...
só não é a "canção do engate" por escolhos autobiográficos.

de qualquer modo, não interessa. como eventualmente também não interessará:

pões convites no olhar
e certezas no sorrir
teu corpo é uma ilha
pra onde eu queria fugir
cerco, prisão, armadilha
aonde eu queria cair.

só para orlar: os anos 80 produziram coisas muito cool.

daily pearls

- estás com pressa?
- nem por isso... só tenho depilação às 4...
(pausa. palavra de honra que eu nem sempre tenho a culpa de ter a cabeça ocupada com imagens específicas)
- então até depois. que a cera te seja leve.
- há zonas.
(palavra de honra)

farawaysoclose

alguém que eu estimo diz isto:
[when you create from the need to be loved you do your best]

eu diria:
[when you create from love you do your best]

e isto dava para horas e horas...

2011/02/24

das meer und...

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão Ferreira

um dia destes...

... publico a montanha de posts que estão na fase de rascunho. são meios posts, notas para posts, posts que não passaram no flexível e mui lubrificado crivo de critérios de qualidade que por aqui se usa (sim, existe).
mas nem todos, suponho. há posts que se destinam a ser publicados daqui a uns anos (espero que a net seja mesmo como dizem: para sempre)

haverá sempre a possibilidade de eu fazer um tratamento qualquer e que este blog desapareça.

haverá sempre a possibilidade de me dar uma coisinha semelhante à que me deu há muitos muitos anos e que resultou numa grande fogueira (a pseudo-arte faz uma chama muito bonita).

arte ardente é um nome para um blog.

twin songs II



2011/02/22

itch



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da conju gação doamo rassim será eua mar me ia
da conju gação doamo rassim será tua mar te ias
nou travi dé nó soa morem mais de um

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let's get a boat to bolivia!

2011/02/19

ristorante

- lembram-se das sobremesas?... e coisas em espanhol. melocotón...
- melão-cotão?
- não, caramba! a conversa nem é contigo!!!
- em porto covo é que era...
- o que é que isso tem a ver?
- via-se a ilha do melãocotãozeiro...
- tu és mesmo... digo, mesmo parvo!
- cala-te e deixa-me ver a bola!

selfblog

- para quem só tinha uma frase hoje, saíste-te bem.:)
- isso não é bom pós testes, acredita
- acredito. mas tudo se faz.
- tudo menos gajas de bigode.
- :D
:D

é já a seguir...

o sentimento trágico perante a crise é um ponto de vista "no matter what"...


lá vou eu ter que ir a um sítio (mais) civilizado.


custa-me tanto, às vezes...

outras vezes é muito cool...



(devia descansar)

pêquêpê

este título não é uma homenagem a um piloto de rallies que corria na altura em que uma gaja venceu o rally de portugal e quando a minha tia namorava um gajo gordo e a malta até ia ver rallies e coisas dessas e o facto de ter sido nessa altura que os duran duran editaram o álbum "rio" também não é importante. ("rio" é um bom álbum, diga-se.)

este título é a justaposição das iniciais das palavras que me passaram pela cabeça quando me apercebi que as únicas entidades que têm comentado este sítio são máquinas de fazer spam e dei por mim a pensar (isto não costuma ser bom) que talvez não fosse má ideia activar a moderação de comentários... mas não.
tal como uma senhora, há muitos anos, disse, a propósito da sua assinatura num abaixo-assinado promovido por um político qualquer (identificado): "todos precisam!"

esta coisa de andar a ler mais e a escrever menos tem um lado menos mau (à primeira vista, só deveria ter lado bom, eu sei): os meus sublinhados. nos livros. a caneta preta e independentemente da qualidade da edição.
nos dias menos bons acho que isto é falta de respeito...
mas ainda foi recentemente que gostei de ver o meu sobrinho mais grande a pegar displicentemente num livro meu e, lendo só os meus sublinhados, afirmar: esta merda parece-me do melhor.
eu disse-lhe que aquela merda era mesmo do melhor, mas ele acabou por levar dois que não aquele livro, que também eram merda do melhor.

refira-se que não é um mero sublinhado... é todo um conjunto de grafismos que uso para atrair a atenção, o foco de atenção, para determinada passagem (algumas dessas passagens passo-as para aqui. só porque gosto de redundâncias e coisas arredondadas em geral).
há uns anos alguém ficou chocadíssimo por "confrontar o teu mórbido marcador com estas cenas art-deco que tu usas"...

já agora, aproveito para referir que o meu sobrinho mais grande está a sair-me nem pior nem melhor que a encomenda, mas exactamente. e isso é muito cool. mesmo que isso signifique que nunca mais será a mesma coisa, que as pessoas crescem e que, por isso, eu me sentirei ainda mais velho.
e eu sei muito bem dessas coisas das encomendas, que ainda ontem "was browsing through an online sex-shop" só para desopilar. acredito que o verbo desopilar pode ser usado em relação a certo tipo de brinquedos, mas eu vejo demasiada televisão.

e porque quem leu isto até aqui merece música da boa:



agora que penso nisso, o termo "pixies", numa daquelas diagonais que eu faço não para me armar mas porque tenho as capacidades mentais todas armadilhadinhas, conduz-me ao tipo supra referido de brinquedos. e eles, que eu saiba, nunca editaram em flexidisco, como os havia das selecções do readers digest... lembro-me de um, dourado, da rafaela carra. o flexidisco é que era dourado. mas há brinquedos dessa cor. e eu vi demasiados filmes suecos, também.

há dias, em conversa com uma pessoa com quem todas as conversas são importantes e que, por isso mesmo, requerem mais cuidado do que o que eu coloco naquilo que digo, usei uma expressão muito dos meus anos 80:
"é melhor ser freak da passa que fraco da piça"

nos anos 80 vi, uma única vez, uma rapariga a tomar banho sem que ela soubesse que eu a estava a ver. foi bom.
nos anos 80 aconteceram-me muitas coisas mas nem todas boas, porque eu sabia mais do que sei hoje e ó tempo volta para trás é mas é o tanas!

e agora que estava embalado aparecem-me as criaturas "almoço, boa?" e isso é que de valor. adeus e até ao meu regresso.


podem contar isto à vontade, máquinas do demo, a ver se me ralo.

small talk... II

- o meu horóscopo diz que hoje eu estou no topo da minha sensualidade...
- de manhã ri-me quando um colega meu disse que o desespero é ler os horóscopos.
- não é o meu caso.
- imagino que não. o facto de teres 11 anos ajuda, suponho.

temposverbaiseoutrascoisasmais

eu, do condicional ao mais que perfeito, vou gerúndio...

2011/02/17

tic

- vocês lá na autarquia não podem.... (blá, blá, blá)...?
- sim, não vemos inconveniente nenhum nisso.
- nós não. só estou a falar contigo.
- estou a falar pelo órgão...
- aaaaaaaaaa... tu tens skype? essa habilidade tua ainda não conheço...