2010/04/29

as conversas são como as cervejas...



vi uma coisa que me levou aqui. e não foi mau, visto que desde a trovoada que não tinha net...

2010/04/23

dolcefarniente

- só me apetecia ir até à praia.
- fazer o quê, na praia?
- deitar-me... papo-seco para cima, papo-seco para baixo..
- que linda imagem.
- ... depois ia molhar os pezinhos.
- tu tens os pés bonitos?
- queres que tos mostre?
- quero, mas prefiro que me dês a tua opinião antes.
- eu gosto deles.
- era mais ou menos isso que eu queria saber.
(pequena pausa)
- vês? são bonitos?
- já vi pés mais bonitos.
- mas também já viste pés mais feios, de certeza...
(agora fiquei a pensar no papo-seco...)

2010/04/22

tudavêr

Desmama-te desanca-te desbunda-te
Não se pode morar nos olhos de um gato

Beija embainha grunhe geme
Não se pode morar nos olhos de um gato

Serve-te serve sorve lambe trinca
Não se pode morar nos olhos de um gato

Queixa-te coxa-te desnalga-te desalma-te
Não se pode morar nos olhos de um gato

Arfa arqueja moleja aleija
Não se pode morar nos olhos de um gato

Ferra marca dispara enodoa
Não se pode morar nos olhos de um gato

Faz festa protesta desembesta
Não se pode morar nos olhos de um gato

Arranha arrepanha apanha espanca
Não se pode morar nos olhos de um gato

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a minha sessão de leitura a quatro mãos na escola da mad foi adiada sine die... até o ratazana achava piada à "borbulha na cara do chaval..." eu, os putos e o'neill.
e a violência bem-intencionada da mãe-avó:
ó filho, não canses a cabeça com poesia.

2010/04/14

personal hope

alex ó'neill escreveu uma vez isto:

DORES

às dores inventadas
prefere as reais
doem muito menos
ou então muito mais


e eu gosto. detesto optimismos bacocos.

work on daily basis

não eu - estas calças estão cheias de borbotos...
eu - não se nota. estão boas...
não eu - eu é que sei... eu sinto as bolinhas no rabo...
eu - as voltas que tu dás só para me dizeres essas coisas...

ele há coisas...

hoje tive, claramente, a sensação de que estava na presença de donaltim, o pato falante que, através da manipulação de pessoa forte e sabedora, consegue fazer crer que está a falar em nome próprio e não do ventríloquo. só que este mui interessante momento revelou-se ainda mais interessante por via da desocultação do truque: a voz que saía da boca de donaltim não era uma mera e muito bem engendrada deslocação da voz do ventríloquo. era antes uma emissão própria de voz, em simultaneidade absoluta com a voz do manipulador, quer no espírito, quer na letra. daí a ilusão, isto é, neste caso o truque é não haver truque.
talvez eu seja um bocadinho observador, afinal...
a título de esclarecimento refira-se que por manipulador, neste contexto, não se entende nada de negativo. trata-se apenas da pessoa que com mão hábil, indiferentemente leve ou pesada, anima a marioneta. é donaltim que, como um rapaz que eu conheço e que gosta de usar calças muito justas, se coloca muito muito a jeito.

2010/04/10

barbitúrico

falavam-me das coisas dos anos 50 na província portuguesa. dos colchões de camisas de milho, das galenas construídas com peças compradas pelo correio, enviadas à cobrança. a mini-revolução, a esta escala, do aparecimento do transístor...
fixei a minha concentração num pormenor: "eurico, o presbítero" em versão radiofónica.
acho que iria gostar.
talvez não da interpretação dos anos 50, mas acho que gostaria de ouvir isso hoje...

siga!

2010/04/06

raspa



não sei por quê, lembrei-me disto... (talvez evocação de um tempo de, comparativamente, vacas gordas)
eu vi os loyko nesta formação. agora parece que o erdenko sénior já não faz parte e a banda se chama leoncia erdenko trio (vi na net, ó o catano...). seja como for, esta mecinha canta muitíssimo bem.

2010/04/03

back to basics II

está pronta a singlespeed... um dia destes tenho que falar com o meu terapeuta sobre a simbologia da recusa das mudanças e isso...

esta coisa vai ser testada a sério amanhã. melhor, eu vou ser testado a sério nesta coisa, amanhã.
gostaria muito de ficar aqui na conversa mas não posso... tenho que fazer uma rosa vermelha para colar aqui no bicharoco. a bem dizer, há sempre coisas que nunca mudam.




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feito! correu bem...

- então, aguentas-te?
- mal...
- sabes que se eu te colocar uma mão sobre a boca tu morres instantaneamente, certo?
- sei...



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pronto... toda coisinha com as mariquices todas. agora é só esperar que não chova para poder ir assim coiso pó trabalho...

cool spring song

excertozinho edificante

"pode sentir-se um misterioso gozo em portar-se mal, às vezes não é necessário procurar as razões últimas do comportamento e, por outro lado, a inteligência por si só é pouca coisa, a inteligência crua é como uma nuvenzinha passageira, não muito mais do que isso."

camilo josé cela, "a cruz de santo andré"

2010/04/02

as brancas jogam e ganham...



as brancas são minhas. as pretas do infante.
aguardo o dia em que as pretas ganhem (o empate merece uma festa, de qualquer modo).

2010/03/26

2010/03/25

bi



mijar a cama

leu-se:
"...(eles) não tiravam os olhos do fogo que contém em si algo dos próprios homens, na medida em que sem ele fica, diminuídos e separados das suas origens e exilados. pois cada fogo é todos os fogos, o primeiro fogo e o derradeiro que alguma vez existirá."

não se deve brincar com o fogo. extrapolando (porque se leu isto noutro autor):
"não se deve brincar com a vida porque a vida não é de fiar..."

ando a montar uma bicicleta de montanha sem mudanças, i.e., só com uma mudança (o que impede isso mesmo, a mudança)... whatever. no jargão do metier chama-se a isto uma single-speed. ss para os connaisseurs.
importa analisar as motivações inconscientes que subjazem a este estúp.., peculiar empreendimento pessoal.

TIC é um tipo ir de bike para o trabalho, todo coiso com a vestimenta de andar de bike, e despachar aquilo com uma pen-drive que se levou na cartucheira. tem-se tempo para isto:
- tu vieste mesmo de bicicleta?
- claro. estavas a pensar que eu tinha um gosto singular na escolha de indumentária, certo?

tick é (foi, num contexto específico. já aqui falei disto, mas lembrei-me outra vez...) "buraco de bala de metralhadora" em inglês. e eu a dar uma de grande caçador branco a explicar como se matam búfalos em áfrica...

wiki: na américa do norte não há búfalos, há bisontes. também não há bisontes, foram dizimados (em certas seitas, o dízimo paga-se em peles e carne de bisonte), o que há é uns coisos híbridos, mais bois feios que outra coisa, que é para aparecerem nos filmes de cobóis.

2010/03/24

neobscurância

"eu fui à bruxa e só ganhei esta porcaria de t-shirt!"

jen-con

2010/03/23

sacrilégio...

... é sublinhar uma passagem do livro que se anda a ler (a cruz de santo andré, camilo josé cela) e anotar na margem: frase de engate para contexto rebuscado.
é.
perceber-se-ia melhor, claro, se a dita passagem fosse aqui identificada (a seu tempo, a seu tempo...), mas constituirão, de certo modo, um sacrilégio os sublinhados, as anotações, os desenhos ocasionais nas margens de livros daquele tipo, de edição mui digna e tudo o mais.
hoje, por exemplo, aterrou-me uma rodela de cebola na página 83. ainda pensei em tirar uma foto para mais tarde recordar mas desisti da ideia. seria muito estranho fazer isso, as pessoas iriam reparar... assim como assim o meu kilt estava já a provocar uns rodar-de-cabeça meio constrangedores e não posso esquecer que levar o urso amestrado para a cadeira a meu lado esteve muito longe de ser fácil: custou-me uma boa meia-hora de argumentação e dois bilhetes para os knicks. ou para os lakers.
e para quem possa armar-se em parvinho e pensar que estou com alguma latitude em relação à verdade vou já avisando que foi assim mesmo. por que não haveria de ser? nos filmes é sempre assim, bilhetes para os knicks ou para os lakers. fazem milagres...
já referi que esta história inclui uma loura com um tónus muscular acima da média e uma M-16? não? talvez o faça, nesse caso...

mito urbano:
certo dia um homem viu um letreiro com os dizeres compre melões no justino. não fez caso e, mais tarde, perdeu o autocarro, perdeu a carteira e perdeu o juízo. diz que foi assim...

2010/03/21

back to basics (adendado)

alguém me dizia há dias que detestava poesia... ocorreram-me algumas coisas para dizer (vivo cheio de ocorrências destas), mas o meu espírito foi por estas palavras levado para uma frase de kid rock, na canção "so hott", a saber, "i wanna fuck you like i'll never gonna see you again"...

num dia bom talvez falasse da poesia cantada. exemplos, bons exemplos, não faltarão.
seu jorge palma canta assim:

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.

num dia bom...

e agora algo completamente diferente:



















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adenda