2006/03/31

lust



nota importante

do ponto de vista do “utilizado”, o usar os outros para nossa felicidade não é considerado como instrumentalidade, como destituição de humanidade. passa-se, aliás, o contrário: o bem do outro como felicidade nossa é tido (analisar se justamente, quando a racionalidade o permita...) como interesse, no mais nobre e real sentido: inter-esse ( “ser entre”)

análise alternativa: indagar se toda a aspiração à felicidade é legítima.

(C(ONA)N)

no corte de cada cara
na cara de cada mão
na cauda do sumo vara
na viga da agitação

na face fóssil do fado
no fato faca do pão
na falha do fim que cala
fada boa boda fala

na vaga vagar de vício
navega na água mão
na vinda vagão que pára
no sim apesar de não

no deposit, no return

nunca há nada a fazer. tudo decorre de uma definição intrínseca a todas as coisas e, particularmente, a mim.
as acções ficam com quem as pratica. a não execução das acções deixam o vazio correspondente em quem as não pratica.
nome técnico: erosão vital
não é um caso como o das ondas que levam a praia e alteram a linha de costa... é como o depositar de entulho, rocha, areia, num processo de formação de nova praia até que o mar não exista.
de qualquer forma a acção incessante das ondas

e um resto negro de alga que teima em não dar à costa.

state mente

não diria em queda livre
mas em eufórico deslize
e mais dia menos dia

brain lint

2006/03/30

apontamentos soltos para um western-tragédia

"édipo-rei" (título filho-da-mãe)

jocasta la vista, baby.

1999

não é irónico este ser biónico irado?
é jocoso, disse o Joca.

translúcio

acabei de trespassar este peixe-vidente-de-fátima macho com o meu arpão.
(na volta foi uma peixa-gata que pensou uma ou duas coisas do meu arpinho)

sarcasmo

contra o marasmo do sarcófago.

homenagem a linda evangelista

eu sei, eu sei,
és a linda evangelista com quem eu quero casar.
já corri mundo e não encontro outra igual
com quem eu queira ficar...

(há uma zona da minha cabeça que contém uma cantiga muito parecida com isto. quando eu descobrir onde é, continuarei a homenagem)
(há uma outra zona da minha cabeça que contém, apesar de tudo, material muito menos digno)

já agora:
alguns homens são torres
algumas torres são de menagem
alguns homens são de menagem
alguns são homenagens

e alguns são tipo fosso levadiço só para introduzir determinações aleatórias referentes a castelos. (mas não é à doida, quisto tem tudo uma incongruência controlada e deliberada)

homenagem a relis egina

eddy pau
eddy pedra
eddy fim de caminho.

eu também já fumei ganzas no alentejo.

it's blowing in the wind...

estou sentado, de frente para isto e de costas para todos...

entretanto chegam até mim pequenas pérolas de subversão, inconscientemente atiradas... a mim:
"dá mesmo a sensação de que estão a gozar na nossa cara" quando se pretendia dizer "dá mesmo a sensação de que estão a gozar com a nossa cara".

"ao olhar para o mário ganho logo vontade de não ter moral" (suspeito que esta profe não gosta muito da pinta do colega de religião e moral. esta suspeita não constitui uma idiosincrasia com a própria frase)

"nem todas as verdades se devem revelar" - confrontar com a canção jón de réveleitor (despacha moda)

de um jacto...

quero que você
me aqueça neste orvalho
e que tudo o mais vá pró inferno.

2006/03/29

dúvidas...

ó prof, foi david hume que foi contra descartes, não foi?
foi, mas foi só chapa...

2006/03/27

sherilyn

eu sou um super-herói...

... só que sem os poderes e a motivação.

monogamia

o Tozé é monogâmico: só rouba berlinas de luxo.

eixo norte-sul

há pessoas realmente muito boas... e, por vezes, temos a sorte de conhecer uma delas.
tenho alguém em mente quando digo isto.
alguém que me acompanha nas quedas de danças doidas, alguém que insiste em segurar as mamas enquanto corre no frio do corredor para me abrir a porta às cinco da manhã, alguém a quem o meu hálito a álcool, na intimidade e exiguidade de uma cama de solteiro(a), não incomoda
enquanto me faz festas no cabelo
enquanto me diz (sorrindo com malícia mas falando muito muito a sério, assertiva e docemente...) “deixa-te lá dessas coisas...”
e há pessoas como eu... que a única coisa boa que têm, a sua única qualidade, é reconhecer estas pessoas e desejar-lhes o melhor do mundo... deste e de outro mundo qualquer.

BREVE ANÁLISE DA ANATOMIA DOS PODERES DIVINATÓRIOS

por que será que existe a consciência de que há um “dedo que adivinha" e não a há de outra qualquer parte do corpo?
as orelhas, o nariz, as palmas das mãos, o sexo......

(3 dias depois)... – se calhar até há e o assunto deixou de ser pertinente.

(2 anos depois)... - os ossos adivinham chuva...

1+1+1+1+1

5 (cinco).... nem mais nem menos.
ex-hexa: uma hipótese.
... passa, claro que passa, ... tudo passa.
e, no entanto, tudo subsiste
tudo insiste
e existe em mim.
eu sou um todo de tudo o que passa.
há um passado que me perpassa o todo.
passado de lodo.
passado demais.
e já passa do dia do pai.

in constância

os automóveis deslocam-se da esquerda para a direita do cenário,
o rio corre da direita para a esquerda...
e, estranhamente, os choupos e os salgueiros não se deslocam,
parecendo, com isso, felizes de chuva miúda.
e, apesar do ímpeto da corrente,
há pequeninas ondas que decidem morrer mesmo à minha frente.
suspeito que sejam o comando suicida da saudade.

2006/03/25

she told me

It’s an old game, my love
When you can’t have me, you want me
Because you know that you’re not risking anything

Intimacy is when we’re in the same place at the same time
Dealing honestly with how we feel, and who we really are
That’s what grown-ups do
That is mature thinking

Well I’m still a junkie for it
It takes me out of my aloneness
But this relationship cannot sustain itself
Intimacy is when we’re in the same place at the same time
Dealing honestly with how we feel, and who we really are
That’s what grown-ups do
That is mature thinking

I just have to know how to be in the process
Of creating things in a better way
And it hurts but it’s a lie that I can’t handle it
I still have a world of me-ness to fulfill
I still have a life
I still care about this planet
I am still connected to nature and to my dreams for myself

I have my friends
my family
I have myself
I still have me

2006/03/23

in extremis

o aluno perguntou-me: ó professor, qual é a diferença entre alma e espírito?
eu respondi: uma vez houve um fulano que me convidou para ir jogar mini-snooker e eu mandei-o ir dar uma volta ao bilhar grande.

dúvidas

dizem-me (apesar de eu duvidar...) que há pessoas que tiram praí 700 contos por mês...
tiram?
tiram de onde?
tiram como?
arrombamento, esticão...?

**

uma boa feita de plumas
numa camisa ramagens
sémen, sangue, cuspo e ódio
sabor de outras paragens

volteios de pontaria
rodovalhos de permeio

rua egas moniz (o cão do vizinho e o vizinho)

o corpo encontrava-se dilacerado na cabeça e numa perna, facto atribuído ao animal, que veio a ser abatido pela polícia.
adelino barata, 75 anos + pastor alemão
cão fechado na residência alimentava-se de cadáver do dono
3 meses 90 dias

*

gosto dos teus seios que sei que são doces
na mão
de um homem.

gosto de os surpreender em esboço pela abertura da tua camisa, na extremidade da alça
que os prende e os esconde.

dão-me o desejo de acostar a ti...

2006/03/21

canadian diary

sinto-me vazio, de certo modo.
e não devia sentir-me vazio. afinal, tudo está bem.
a madalena está a colorir os meus desenhos...
mas, de certo modo e a um nível profundíssimo
sinto-me vazio, completamente vazio.
é como se nada valesse a pena.
devia ter ficado quietinho no meu canto
faz-me confusão a existência de um (mundo) café onde uma bica, expresso, cimbalino, chame-se-lhe o que se quiser, não seja um pedido habitual..

isto não é bem “uma bica”............. mas isto também não são férias.

outro sítio:
afinal até se está bastante bem aqui
5 way stop ------------ não faz falta nenhuma rotunda
ser-se ordeiro não é sinónimo de ser-se civilizado.

há de tudo, por aqui. e tudo parece maior:
os carros, as montanhas, o café (seguramente)...

os carros têm nomes que incitam à aventura.
eu estou de um lado da estrada... os corvos estão do outro lado.
e há uma via de comunicação que nos separa.

(última linha escrita post mortem)

a influência da solha no cubismo

solha – peixe comestível (não é mas poderia ser
palmípede)
particularidade: tem os 2 olhos do mesmo lado
da cabeça
distingue-se, por isto mesmo, do linguado:
- deve ter/ser com os olhos fechados, sem pastilha elástica
e com a dose certa de saliva (sim, também é comestível) – também conhecido por french-kiss.

logo, a solha
parece-se com as figuras de picasso:
simultaneidade perfil/frontal (cfr.purizemplo: les demoiselles d’avignon)
é forçada, assumidamente forçada, a relação
causal entre o palmípede e a tentativa de supressão da perspectiva.
menos forçada é, seguramente, a tese paralela:
picasso (de calções (com fisga)) na mudança dos dentes:
- papi, quero ser advogado quando for grande.
seu pai (com apresentação do palmípede na sua própria mão/palma) isto é, com solha:
- nada disso! vais é ser cubista que isso é que dá dinheiro!
... etc., etc. para todas as profissões socialmente reconhecidas.
(nota: investigação posterior possível e desejável - a influência da solha na perpetuação da herança moral judaico-cristã)

lapsus linguae

na faculdade eu tinha uma professora que dizia "eu tou espantosa"...
isto porque há pessoas que lêem estas coisas e comentam e tal.
e eu a pensar que isto era um acto puramente masturbatório...

por falar nisso, and now for something really interesting: ver o primeiro link.

confissão...

é confiar na maria da conceição quando se está com muita pressa.

ele há coisas...

há postes telefónicos e há postes nas equipas de basket...
e algumas das minhas conversas telefónicas caem em cesto roto... (e quem saca um roto, saca um cento).

gdfgsdjfsu (letras avulso à laia de guisa de título)

quando eu me lavo fico mais elegante.
fico mais lavagante.

eu dou-me com gente conhecida...

freud disse-me ontem que este blog (ou blogue, ou belog, ou marquise ou escadote ou....) tinha este nome (carapaus alimados) porque (inconscientemente) eu sei que sou uma alimária armada em carapau de corrida.

e disse-me outras coisas.

confissão (parte II)

eu tive uma motorizada V5 que era branca e que eu pintei de preto e que andava depressa quando tinha o pistão novo o que era coisa assim tipo de dois em dois meses e na qual eu me deslocava para os spots onde as mecinhas estavam e a minha auto-estima nunca recuperou totalmente e nunca mais foi a mesma e uma vez passei-me e tentei atirá-la (à V5 e não à auto-estima) do alto de minde cá para baixo aquilo ainda nem era parque natural acho eu mas o meu tio passou na camioneta e levou-a de novo para minha casa...

não sei se estou a confessar a posse de uma V5 se uma tentativa de poluição ambiental...




eu é que sou o cromo dos competadores

a pedido de várias famílias (sopranos, corleones, cornuttos, lamborghinis...), comentários aos carapaus agora é a escape livre.

2006/03/20

the ultimate insult

"és mais parvo do que um saco de plástico!"
diz o meu aluno, quando "está com os nervos".

eu consigo dizer os "éues"

linguíça
língua-de-gato
lingueirão delico-doce
lingote de preguiça
ligado à solidão
cintos-de-liga alíseos
almejado limite...
limbo.

real politik

fui eleito por um partido que teve um candidato de quem eu disse:
ele já não se lembra muito bem que valores defende, apesar de continuar, coerentemente, a acreditar neles.

Pu e Zia

colho a água doce devagar
espraio a esperança toda em ti
devolvo enfim a vida àquele lugar
que deixei, em chaga, em vinda, quando parti

tu já mal sentes maldade em mim
a vida torna vago o ardor do amor
é tensão de seda ter de der assim
é ser já ocaso e sem calor

de corpo e sangue é o fruto a cobiçar
seca o saque àquele que o merece
e talvez seja eu a imolar

mas em toda a desdita a vida tece
aquilo que é capaz de aniquilar
a dádiva: o teu corpo que estremece

confissão

eu já fui punk rural.
(panquerrural)

física elementar

... então o professor não sabe que o calor dilata os corpos?
é vê-los por aí.
ao mais pequeno calorzinho, lá andam aqueles toicinhos a abanar...

(ainda bem que eu sou do campo)

2006/03/17

one of us cannot be wrong

and jesus was a sailor
when he walked upon the waters
and he spent a long time watching
from his lonely wooden tower
and when he knew for certain
only drowning men could see him
he said "all men will be sailors
just until the sea shall free them

but he himself was broken
long before the sky was open
foresaken, almost human,
he sank beneath your wisdom like a stone.

(suspiro)

ai que saudades eu tenho da senhora dona amália...

já agora, quem é que põe o nome ANÁLIA a uma filha?

schiele

carapaus alimados, calhaus alinhados, lacraus sublimados...

2006/03/16

não há carapaus há bacon...

esclarecimento

há muitos assuntos acerca dos quais eu tenho uma opinião. digo mais, eu tenho (sempre tive, não é de agora) o direito à indignação e estou, de facto, indignado com um grande conjunto de coisas e situações. mais, estou indignado contra uma matriz presente, horizontal, vertical e transversalmente a toda a realidade portuguesa.

se não protesto é porque há uma boa razão: estou demasiado gordo para isso, logo, o meu protesto não seria convincente

ficha técnica

definição deste projecto:
logradouro intelectual do seu autor
objectivos:
não tem
condicionantes formais:
actualizações esporádicas (bela palavra), ao sabor do capricho ou do mood
condicionantes materiais:
dado que este espaço se destina maioritariamente aquilo que eu penso cá com os meus botões, será previsível que o rigor lógico-estrutural dos textos aqui apresentados seja nulo (os estudos mais recentes são peremptórios em afirmar que se pensa muito melhor com os neurónios)
linha editorial:
o que arde, cura.

ímpeto

vela anti-stress
ocaso tépido
in the hinge of your thighs...

swirve

quem é que me mandou dar aquele exemplo? eu não devia ter dito que os chineses comem carne de cão. afinal, os chineses fazem tantas coisas idiotas. além disso, eu deveria ter reparado que havia gente a consultar a ementa do refeitório.
mas acho que até me safei relativamente bem. à objecção: "não é nada... os chineses não fazem nada disso! olha que eles, lá na cultura deles (!) até vão levar o cãozinho aos vizinhos quando vão de férias..." respondi simplesmente que sim, que isso até podia ser verdade. afinal de contas, um cãozinho é facilmente transportável em qualquer tupperware e seria uma pena estragar-se comida tão boa.

pequeno dicionário do meu habitat

engavelar - comer de forma apressada ou pouco elegante.
pardalanguã - idiota, estúpido, imbecil...
retentivar - mudar de ideias.
troncagem - (à troncagem) sem rigor, sem cuidado, à balda.

conselho grátis

a cera depilatória deve ser arrancada com um só gesto rápido.

o tempo

um dia voávamos acima das núvens que cobriam o verão centro-europeu e ela disse-me do alto dos seus três anos de sua sabedoria:
o tempo são duas bolinhas que caem em buraquinhos.
as núvens abaixo de nós pareceram concordar...

2006/03/15

(suspiro)

quem nasce com hipertricose é peculiar...

trava-línguas

um ovo cozido, inteiro, na boca.

2006/03/13

nunca digas “o que tu quiseres” a quem não sabe o que quer...

(seria uma canção se..)

ao fim da tarde
quando se contam memórias
quando se inventam histórias
quando se beijam sorrisos
quando se calam ternuras
quando se emitem juízos
esquecendo as próprias loucuras...

há momentos fascinantes
com flora e fauna diversa
sejam louras borbulhantes
sejam pedras inconstantes
sejam torpores delirantes
de uma fúria submersa
sob a fachada barroca
de excessos de retórica
que só com um boca-a-boca
à vontade de instantes
a tornam de antologia
de magia:
histórica

o que tem de ser...

... não tem assim tanta força. mas, não tendo muita, tem uma força que eu não consigo combater.

eu não tenho de ser.

2006/03/10

O Nome

Nunca provei carapaus alimados; nunca comi carapaus alimados; não sei como cheira o molho dos carapaus alimados (com este nome suponho que haja um "molho")...

Só sei que salmonetes alimados não bate certo.