2006/04/18

in constância III (metáfora para a existência humana)

solta-se um rasto de espuma branca
da obstinação de um tronco semi-submerso
contra a força inexorável da corrente.
pálidos assomos de resistência
e nasce e cresce e luta e floresce e reproduz-se
e luta e quase morre e vê os seus rebentos
continuar a lutar e adia e resiste e morre
a resistir, a lutar, a florescer e a adiar.
e o ritmo dos dormitórios, dos dias e das noites, é-lhe indiferente.
e toda a gente vê e ninguém faz nada.

será que vale mais a pálida tentativa
contra a força verde e mole do que
a brancura ostensiva deste cão
em “promenade”, eternamente submisso...

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